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Economia

Juros do crédito batem recorde e inadimplência cresce no Brasil


  • 29 de maio de 2026 às 07h08min

Taxa média chegou a 33,8% ao ano em abril, maior nível da série histórica do Banco Central. (Foto: Magnific)

O custo do crédito voltou a subir no Brasil e atingiu um novo recorde em abril. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, a taxa média de juros das concessões bancárias chegou a 33,8% ao ano, maior patamar da série histórica iniciada em 2011. O aumento foi de 0,6 ponto percentual em relação a março e de 2,4 pontos percentuais na comparação com abril do ano passado.

A alta foi impulsionada principalmente pelas linhas de crédito destinadas às pessoas físicas. No crédito livre para famílias, modalidade em que os bancos definem livremente as taxas, os juros alcançaram 63% ao ano. Entre os destaques estão o crédito pessoal não consignado e o cartão de crédito rotativo, que registraram aumentos significativos no período.

Para as empresas, a taxa média dos empréstimos livres subiu para 25,3% ao ano. O Banco Central atribui parte desse avanço ao aumento dos juros cobrados no cheque especial empresarial.

Além dos juros mais altos, a inadimplência também avançou. O percentual de operações com atrasos superiores a 90 dias chegou a 4,4% do total do crédito no país, maior nível dos últimos anos. Entre as famílias, o índice atingiu 5,4%, enquanto nas empresas ficou em 2,8%.

Mesmo com o encarecimento do crédito, o volume total de empréstimos continuou crescendo. O estoque de crédito do Sistema Financeiro Nacional alcançou R$ 7,2 trilhões em abril, impulsionado principalmente pelas operações contratadas por pessoas físicas.

Os dados mostram ainda que o endividamento das famílias brasileiras permanece elevado. Em março, as dívidas representavam 49,8% da renda acumulada em 12 meses, enquanto o comprometimento da renda com o pagamento de parcelas chegou a 29,3%.

O cenário reforça os desafios enfrentados por consumidores e empresas em um ambiente de juros elevados, com impacto direto no orçamento das famílias e na capacidade de investimento do setor produtivo.

Por Mirelly Rodrigues