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Álbum da Copa pode gerar lixo com impacto ambiental de até 100 anos


  • 31 de maio de 2026 às 07h29min

Material presente nas figurinhas é de difícil reciclagem e expõe diferença entre reciclável e reciclabilidade. (Imagem: reprodução)

Colecionar figurinhas da Copa do Mundo é uma tradição que atravessa gerações, mas por trás da brincadeira existe um impacto ambiental pouco conhecido. O papel que protege a parte adesiva das figurinhas, chamado de liner, pode levar até 100 anos para se decompor na natureza.

Apesar de parecer um material comum, o liner é um tipo de papel siliconado que exige um processo complexo e caro para reciclagem. No Brasil, há poucas iniciativas capazes de fazer esse reaproveitamento, o que faz com que a maior parte desse resíduo acabe em aterros sanitários.

A situação evidencia uma diferença importante: nem tudo que é reciclável, de fato, tem reciclabilidade. Ou seja, embora o material possa ser reciclado em teoria, na prática ele enfrenta barreiras como custo elevado e falta de estrutura adequada.

De acordo com o professor e pesquisador de sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas, Fabrício Stocker, o problema está na dificuldade de inserir esse material na cadeia de reciclagem em larga escala. “O processo é caro, complexo e ainda há poucas opções disponíveis no país”, explica.

Para se ter uma ideia do volume gerado, dados de mercado apontam que, apenas nos primeiros dias de vendas, cerca de 6,7 milhões de pacotes de figurinhas foram comercializados. Considerando sete unidades por pacote, isso representa aproximadamente 47 milhões de adesivos.

Com base nesses números, a estimativa é de que esse volume inicial tenha gerado cerca de 11,7 toneladas de papel liner. Em comparação, uma ação de reciclagem realizada durante a Copa de 2022 recolheu apenas 42 quilos desse material — uma fração mínima diante do total produzido.

Quando descartado de forma inadequada, o liner pode contribuir para a emissão de gases de efeito estufa, já que sua decomposição é lenta devido à camada de silicone.

Especialistas destacam que, embora seja importante descartar o material no lixo reciclável, a responsabilidade não deve recair apenas sobre o consumidor. A discussão também envolve fabricantes e fornecedores, diante da necessidade de desenvolver soluções mais sustentáveis desde a origem do produto.

Atualmente, iniciativas pontuais tentam ampliar a coleta e o reaproveitamento do material, mas ainda são limitadas. O desafio, segundo especialistas, é avançar para um modelo em que produtos como as figurinhas já sejam pensados com maior reciclabilidade, reduzindo o impacto ambiental ao longo de toda a cadeia.

Por Viliane Gomes