Construção civil perde participação na economia e registra queda de produtividade, aponta CNI

A construção civil brasileira perdeu espaço na economia nacional e enfrenta um desafio histórico de produtividade. É o que aponta o estudo “Construção no Brasil: Agenda para Modernização do Setor”, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Segundo o levantamento, a participação da construção civil no Produto Interno Bruto (PIB) do país caiu de 6,4% em 2013 para 3,6% em 2024. No mesmo período, a produtividade do trabalhador do setor apresentou queda acumulada de 20,4%.
Os dados mostram que, em 2024, cada trabalhador da construção gerou, em média, R$ 41,3 mil por ano, valor inferior à metade da produtividade registrada na indústria de transformação. Para a CNI, o resultado evidencia a necessidade de modernização dos processos produtivos da atividade.
Entre os fatores apontados para o baixo desempenho estão a elevada informalidade, a baixa qualificação profissional e a lenta adoção de novas tecnologias. Em 2021, apenas 25% dos trabalhadores da construção possuíam vínculo formal de trabalho, enquanto na indústria de transformação esse percentual chegava a 66%. Além disso, somente 7,8% dos profissionais do setor tinham ensino superior.
O estudo também destaca a distância do Brasil em relação a países mais desenvolvidos. Em 2021, a produtividade da construção civil brasileira representava apenas 7% da registrada nos Estados Unidos.
Como alternativa para reverter esse cenário, a CNI defende a ampliação da construção industrializada, modelo que transfere parte da produção para fábricas e ambientes controlados, onde componentes são fabricados previamente e depois montados nos canteiros de obras.
Entre as tecnologias citadas estão estruturas metálicas, sistemas light steel frame, concreto pré-fabricado, wood frame, drywall e madeira engenheirada. Segundo a entidade, esses métodos podem reduzir desperdícios, acelerar a execução das obras e melhorar a qualidade dos empreendimentos.
Apesar das vantagens, a adoção ainda é limitada. Pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV), mencionada no estudo, mostra que 64,5% das empresas utilizam algum processo industrializado, mas em 58,4% dos casos essas soluções estão presentes em apenas parte das obras realizadas.
A CNI avalia que a modernização do setor é fundamental para enfrentar desafios como o déficit habitacional brasileiro, estimado em 5,97 milhões de moradias, além da necessidade de ampliar investimentos em infraestrutura. A entidade defende ações voltadas à digitalização dos processos, qualificação da mão de obra, redução da informalidade e expansão dos métodos construtivos industrializados para aumentar a competitividade da construção civil nos próximos anos.
Por Mirelly Rodrigues
