Após 11 anos, Pernambuco retoma monitoramento de tubarões no litoral após ataques em Piedade e Boa Viagem

Após mais de uma década sem monitoramento sistemático dos tubarões no litoral pernambucano, Pernambuco voltará a acompanhar os deslocamentos das espécies que circulam pela costa do estado. A retomada do programa deve começar até julho e ocorre poucos dias após dois incidentes envolvendo tubarões registrados em menos de 24 horas na Região Metropolitana do Recife.
O novo projeto será coordenado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e contará com investimento superior a R$ 1 milhão ao longo de dois anos. A iniciativa foi selecionada pelo Programa Cientista Arretado, do Governo de Pernambuco, e terá como foco principal o monitoramento das espécies mais associadas aos incidentes registrados no estado: o tubarão-cabeça-chata e o tubarão-tigre.
A proposta prevê a captura dos animais para instalação de transmissores ultrassônicos. Após serem devolvidos ao mar, os tubarões passarão a ser acompanhados por meio de receptores submersos distribuídos ao longo da costa pernambucana, permitindo que pesquisadores monitorem seus deslocamentos e áreas de permanência.
O monitoramento será concentrado inicialmente no trecho de aproximadamente 33 quilômetros entre o Cabo de Santo Agostinho e Olinda, considerado a área de maior incidência de ataques no estado.
Além do rastreamento dos animais, o projeto prevê a criação de uma plataforma digital para reunir informações científicas e dados fornecidos pela população, o desenvolvimento de protocolos de alerta de risco, ações de educação ambiental e a elaboração de um Plano Estadual de Pesquisa e Monitoramento de Tubarões.
A retomada do programa acontece após dois casos graves registrados no litoral sul e na capital. No domingo (31), um menino de 11 anos foi atacado por um tubarão-cabeça-chata na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. A vítima sofreu amputação de uma das pernas e segue internada. Menos de 24 horas depois, uma jovem de 19 anos foi atacada por um tubarão-tigre na praia de Boa Viagem, no Recife, e também precisou amputar uma perna.
Pesquisadores e integrantes do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) avaliam que a retomada do acompanhamento científico permitirá compreender melhor os padrões de deslocamento dos animais, identificar áreas de maior frequência de ocorrência e aprimorar as estratégias de prevenção adotadas no litoral pernambucano.
A expectativa é que os dados coletados contribuam para a redução dos riscos para banhistas e ampliem o conhecimento sobre o comportamento das espécies que habitam a costa do estado.
Por Mirelly Rodrigues
