São João e Copa acendem alerta sobre impactos dos ruídos em pessoas neurodivergentes

Com a chegada do período junino e dos jogos da Copa, especialistas chamam atenção para os efeitos que sons intensos, como fogos de artifício, músicas altas e manifestações de euforia, podem causar em pessoas neurodivergentes. Entre os grupos mais afetados estão indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que frequentemente apresentam hipersensibilidade auditiva e podem perceber estímulos sonoros de forma mais intensa ou até dolorosa.
Dados do IBGE indicam que o Brasil possui cerca de 2,5 milhões de pessoas diagnosticadas com autismo. Para esse público, situações comuns durante comemorações podem provocar sobrecarga sensorial, crises de ansiedade e outros impactos à saúde. Especialistas destacam que pessoas com problemas cardíacos, idosos, crianças e animais também podem ser afetados pelo excesso de ruído.
Em Pernambuco, a legislação estadual proíbe a utilização de fogos de artifício com estampido em espaços públicos e privados. A medida busca reduzir os impactos sobre pessoas com sensibilidade auditiva e outros grupos vulneráveis. Apesar da proibição, especialistas defendem a ampliação da conscientização para que eventos e festividades adotem práticas mais inclusivas e seguras.
Entre as orientações estão o uso de abafadores ou protetores auditivos, a preparação antecipada para eventos com grande movimentação e a criação de ambientes tranquilos para acolhimento em momentos de sobrecarga sensorial. A avaliação é de que é possível preservar as tradições culturais e, ao mesmo tempo, ampliar a acessibilidade e o bem-estar de todos os participantes.
Por Millena Galvão
