Flávio José cancela 15 shows na Bahia após impasse sobre cachê e critica desvalorização do forró

O cantor e sanfoneiro paraibano Flávio José anunciou que não participará mais das festividades juninas na Bahia em 2026. A decisão foi divulgada por meio de um comentário publicado nas redes sociais, após um impasse envolvendo o valor de seu cachê em apresentações contratadas por municípios baianos.
Segundo o artista, o Ministério Público da Bahia questionou o reajuste de seu cachê, que passou de R$ 250 mil em 2025 para R$ 350 mil neste ano. Em protesto, Flávio José informou o cancelamento de 15 shows que realizaria durante o período junino no estado.
Na publicação, o cantor criticou o que considera uma desvalorização do forró tradicional em comparação com outros estilos musicais presentes nos festejos. Ele afirmou que artistas sem ligação direta com o gênero recebem valores muito superiores e classificou a situação como um desrespeito à cultura nordestina.
Em nota, o Ministério Público da Bahia informou que o monitoramento dos contratos segue critérios técnicos relacionados à notoriedade artística e à evolução dos valores pagos pelos municípios. O órgão explicou que analisou contratos de diversos artistas após identificar possíveis indícios de superfaturamento em contratações para os festejos juninos.
O episódio reacendeu o debate sobre a distribuição dos recursos destinados às atrações do São João. Dados de painéis de transparência dos Ministérios Públicos mostram que artistas de gêneros como sertanejo, arrocha e piseiro costumam figurar entre os maiores cachês das festas juninas, enquanto parte dos representantes do forró tradicional recebe valores significativamente menores.
Em Pernambuco, por exemplo, artistas ligados a estilos mais comerciais ocupam boa parte das primeiras posições entre os maiores cachês do São João. O cantor Wesley Safadão aparece entre as atrações mais caras dos festejos, seguido por nomes do sertanejo, arrocha, axé e piseiro.
O caso de Flávio José gerou repercussão entre admiradores do forró e reacendeu discussões sobre a valorização dos artistas que mantêm viva a tradição do gênero nas festas juninas do Nordeste.
Por Mirelly Rodrigues
