Afastamentos por burnout crescem mais de 800% em quatro anos

O número de afastamentos por burnout no Brasil cresceu de forma expressiva nos últimos anos, revelando um cenário preocupante para a saúde mental dos trabalhadores. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que os casos passaram de 823 em 2021 para 7.595 em 2025, um aumento de cerca de 823%. O avanço acompanha a alta geral de transtornos mentais relacionados ao trabalho, que já somam mais de meio milhão de licenças concedidas apenas no último ano.
Especialistas apontam que o crescimento não está ligado a um único fator, mas a uma combinação de mudanças no mercado de trabalho e maior reconhecimento do problema. Jornadas longas, metas elevadas, pressão constante, vínculos precários e a intensificação do uso de tecnologias têm contribuído para um ambiente mais desgastante. Além disso, o período pós-pandemia deixou marcas, com aumento do ritmo de trabalho e dificuldade de desconexão fora do expediente.
O burnout passou a ser oficialmente reconhecido como fenômeno ocupacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS), sendo caracterizado por exaustão extrema, distanciamento mental do trabalho e queda no desempenho profissional. Para especialistas, também houve avanço no diagnóstico e na notificação dos casos, já que muitos quadros antes eram registrados apenas como ansiedade ou depressão, sem relação direta com o ambiente de trabalho.
Na prática, o reconhecimento do burnout como doença ocupacional ainda depende da comprovação do vínculo entre o adoecimento e as condições de trabalho. Quando esse nexo é estabelecido, o trabalhador pode ter acesso a benefícios previdenciários e até estabilidade provisória. No entanto, a dificuldade em reunir provas e o receio de exposição ainda são obstáculos para muitos profissionais.
Diante do aumento dos casos, o governo federal prevê a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que deve ampliar a fiscalização sobre riscos psicossociais no ambiente de trabalho, incluindo metas abusivas, jornadas excessivas e assédio moral. A medida, prevista para entrar em vigor em maio deste ano, é vista como essencial para conter o avanço do adoecimento mental e garantir melhores condições aos trabalhadores.
Por Millena Galvão
