Alergias causaram 40 mortes no Brasil no primeiro semestre de 2026

O Brasil registrou 40 mortes provocadas por reações alérgicas entre janeiro e junho de 2026, segundo dados do Ministério da Saúde. Desde 2022, foram contabilizados 499 óbitos por essa causa no país.
Os atendimentos relacionados a alergias também aumentaram no Sistema Único de Saúde (SUS). O total passou de 30,9 milhões em 2022 para 44,5 milhões em 2025. Somente nos seis primeiros meses deste ano, foram registrados 24 milhões de atendimentos.
Um dos casos ocorreu durante uma viagem de um casal de Mato Grosso a Alagoas, em maio. Erivelton Gomes, de 34 anos, sabia que era alérgico a camarão, mas decidiu experimentar siri e caranguejo. Poucos minutos depois, começou a sentir coceira no ouvido, apresentou dificuldade para respirar e morreu após ser levado ao hospital.
A alergia acontece quando o sistema imunológico reage de forma exagerada a uma substância normalmente inofensiva. Os agentes que desencadeiam as crises podem estar presentes em alimentos, medicamentos, ácaros, pelos de animais e venenos de insetos. O problema pode surgir ainda na infância ou apenas durante a vida adulta.
Entre as condições alérgicas mais comuns estão rinite, asma, dermatite atópica e urticária. No caso das alergias alimentares, leite de vaca, ovos, amendoim, castanhas, trigo, soja, peixes, crustáceos e gergelim estão entre os principais alimentos associados às reações.
Anafilaxia exige atendimento imediato
A forma mais grave da reação alérgica é a anafilaxia, que começa rapidamente e pode atingir a pele, a respiração, a circulação e outros órgãos ao mesmo tempo. Os sinais podem incluir dificuldade para respirar, inchaço na garganta, queda da pressão, tontura, desmaio e mudança na coloração da pele. A orientação é buscar atendimento de emergência imediatamente. A adrenalina é o tratamento de primeira escolha e deve ser administrada por pessoa treinada ou pelo próprio paciente quando houver prescrição e orientação médica.
Pessoas que já tiveram alguma reação devem procurar um alergista para investigar a causa. O diagnóstico pode envolver avaliação do histórico, exames de sangue, testes na pele e, em casos indicados, teste de provocação realizado sob supervisão em ambiente preparado para atender emergências.
Quem tem alergia alimentar deve evitar completamente o alimento responsável pela reação e conferir os rótulos, mesmo quando já conhece o produto, porque a composição pode mudar. Em restaurantes, também é importante informar a alergia e perguntar se ingredientes, óleo, talheres ou superfícies entram em contato com o alimento que precisa ser evitado.
Esse contato é chamado de contato cruzado e pode transferir pequenas quantidades do alérgeno para outra refeição. Quando houver dúvida sobre a composição ou a forma de preparo, a opção mais segura é não consumir o alimento.
Por Mirelly Rodrigues
