Assisão celebra 65 anos de forró e relembra legado em entrevista na Rádio Cidade

O estúdio da Rádio Cidade recebeu, nesta segunda-feira (23), um dos maiores nomes da história do forró nordestino. O cantor e compositor Assisão foi o convidado especial do programa Manhã Cidade, no momento Cidade Entrevista, comandado por Vitor Araújo e Renata Torres, e emocionou os ouvintes ao relembrar momentos marcantes da carreira e reafirmar o compromisso com a cultura popular.
Aos 85 anos, que serão completados em maio, e com 65 anos de estrada, o artista mostrou que mantém o mesmo vigor de sempre. “A pessoa só fica velha se quiser. Quem manda é a mente. A minha mente é de uma pessoa de 18 anos”, afirmou, com a disposição de quem ainda abre shows “pulando e gritando” ao som de Fogueirinha, um de seus maiores sucessos, que há quatro décadas embala os festejos juninos.
Durante a entrevista, Assisão falou sobre a participação no projeto audiovisual “Cantando com os Mestres”, do cantor e sanfoneiro Sebastian Silva, que será gravado em Caruaru reunindo grandes nomes do forró, nesta terça-feira (24). No palco, ele dividirá espaço com artistas como Flávio José, Flávio Leandro, Targino Gondim, Onildo Almeida, Marquinhos Café e o Maestro Mozart. Para o mestre, encontros como esse fortalecem a tradição. “Quanto mais se reúne, melhor”, resumiu.
Reconhecido como referência para diferentes gerações, Assisão também comentou a relação de amizade e respeito com João Gomes, um dos principais nomes do forró atual. O jovem cantor já declarou publicamente a admiração pelo repertório do caruaruense e gravou, ao lado dele, clássicos como “Fogueirinha” e “Quatro Estações”. “Ele é simples, educado. Desde criança já curtia minhas músicas. E todo canto que vai, cita meu nome”, contou, agradecido.
O compositor destacou a importância de artistas da nova geração gravarem canções tradicionais, garantindo que o forró continue vivo entre os mais jovens. “A música tem que pegar da criança ao mais velho. Tem que ter pegada, letra e estilo”, explicou. Para ele, o segredo das canções que atravessam décadas está na experiência e na conexão com o povo. “A música que fica vai passando de um para outro. Vem a nova geração e continua.”
Autor de mais de 800 composições gravadas, Assisão trata cada música como um filho. Evita apontar preferidas e defende a originalidade como princípio fundamental na carreira artística. “Seja você. Não copie ninguém. O original é mais valioso que a cópia”, aconselhou.

O artista também relembrou momentos históricos ao lado de Luiz Gonzaga, com quem dividiu palcos e histórias. Foi Assisão quem organizou duas apresentações do Rei do Baião em São Miguel e participou do último show em vida de Gonzaga, celebrando seus 75 anos. Ao falar sobre as transformações no forró, ele destacou que inovou ao incluir bateria eletrônica e guitarra sem abandonar a essência do ritmo. “A música não saiu da linha do forró tradicional. Só botei um tempero”, comparou.
Mesmo com agenda intensa — chegando a fazer três shows em uma única noite durante o período junino —, Assisão garante que não segue dieta especial nem rotina de exercícios. Prefere a comida simples da roça e diz que o palco é sua academia. “Toda semana eu trabalho pulando.”
Além dos palcos, o mestre tem se dedicado a ações educativas, realizando apresentações em escolas para ensinar às crianças a história e a importância do forró. “A criança de hoje é o adulto de amanhã. Se a gente não plantar agora, daqui a 40 anos o forró pode ir embora”, alertou.
A passagem de Assisão pelo Manhã Cidade foi marcada por bom humor, sabedoria e a certeza de que o forró segue firme enquanto houver mestres dispostos a defendê-lo. Em Caruaru, terra do São João, o legado do artista permanece como patrimônio vivo da cultura nordestina.
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