Auditoria do Ministério da Saúde sobre hospital de Garanhuns é enviada ao MPF

Um relatório do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DenaSUS) apontou inconsistências na execução de serviços financiados pelo SUS na Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco. O documento foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF) para conhecimento e adoção das medidas que considerar cabíveis.
A unidade hospitalar tem entre seus sócios Jorge Branco Neto, marido da vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause (PSD). O relatório final foi enviado ao procurador-chefe da Procuradoria da República em Pernambuco, Rodolfo Soares Ribeiro Lopes, por meio de um ofício datado de 20 de agosto.
Assinado pelo diretor do DenaSUS, Rafael Bruxellas Parra, o documento encaminha ao MPF o Relatório Final de Auditoria nº 20034. Segundo o ofício, o envio tem como finalidade permitir que o órgão tome conhecimento dos resultados e avalie eventuais providências.
A fiscalização analisou a execução de serviços contratualizados pelo SUS sob gestão estadual, além de verificar o cumprimento de requisitos operacionais e estruturais relacionados a diferentes áreas de atendimento de alta complexidade.
O período analisado pelos auditores compreendeu de 1º de janeiro de 2023 a 31 de julho de 2025. Entre os serviços examinados estão o atendimento especializado a pacientes com doença renal crônica, incluindo hemodiálise e diálise peritoneal, os serviços de oncologia por meio da Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) e a Unidade de Terapia Intensiva Adulto (UTI A) Tipo II.
Entre os apontamentos do relatório está a identificação de divergências em procedimentos registrados e cobrados com recursos do SUS. Na área de oncologia, os auditores analisaram 60 Autorizações de Internação Hospitalar (AIHs) e encontraram inconsistências em 33 delas.
Segundo o documento, nesses casos foram identificadas diferenças entre os procedimentos informados para cobrança e os registros encontrados nos prontuários dos pacientes. Os apontamentos fazem parte das conclusões da auditoria que agora estão sob conhecimento do Ministério Público Federal.
Por Jorge Brandão
