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Paixão de Cristo 2026

Bastidores da Paixão de Cristo revelam desafios e grandiosidade do espetáculo


  • 31 de março de 2026 às 09h33min

Em entrevista ao Podcast da Paixão, Lúcio Lombardi e Thiago Gondim revelam a complexidade por trás de um dos maiores espetáculos ao ar livre do mundo. (Foto: Reportagem Cidade 99.7)

O tradicional espetáculo da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, em Fazenda Nova, segue encantando gerações e se reinventando ao longo das décadas. Em entrevista concedida à jornalista Renata Torres, durante o Podcast da Paixão, exibido no programa Manhã Cidade desta terça-feira (31), o diretor Lúcio Lombardi e o ator Thiago Gondim compartilharam histórias, bastidores e reflexões sobre a grandiosidade da montagem.

Com uma trajetória que remonta aos primeiros anos do espetáculo, ainda na vila de Fazenda Nova, o diretor Lúcio Lombardi relembrou o início simples da encenação, que nasceu em 1951 como uma apresentação familiar. “Pegaram os lençóis, se enrolaram e fizeram o primeiro espetáculo. Era tudo muito simples, mas foi crescendo com a chegada do público e de atores mais experientes”, contou. Segundo ele, a consolidação do projeto ganhou força com a visão de Plínio Pacheco, responsável por transformar a estrutura em pedra e elevar o nível da produção. “Muita gente não acreditava. Achava que era passatempo. Mas ele era um visionário, acreditava no que estava construindo”, destacou o diretor.

Ao longo dos anos, o espetáculo passou por momentos decisivos, como a reformulação em 1997, quando a produção optou por convidar atores conhecidos da televisão para atrair mais público. “Foi um divisor de águas. Saímos de pouco mais de 30 mil espectadores para cerca de 70 mil. Se não fosse isso, talvez o espetáculo não tivesse sobrevivido”, afirmou Lúcio. Responsável por coordenar um elenco numeroso, atualmente com cerca de 50 atores interpretando mais de 150 personagens, o diretor explicou que a montagem exige precisão e disciplina. “Tudo é marcado. Mesmo nas cenas que parecem caóticas, existe uma organização. O ator precisa se adaptar ao espetáculo, e não o contrário. Eu sempre digo: ‘não venha inventar a roda’”, ressaltou.

Um dos assuntos destacados durante a entrevista foi a reformulação em 1997, quando a produção optou por convidar atores conhecidos da televisão para atrair mais público. (Foto: Reportagem Cidade 99.7)

Thiago Gondim, que integra o elenco desde 2013, contou que sua relação com o espetáculo começou ainda como espectador. “Eu vinha assistir e já sentia que queria estar aqui. Em 2012, disse à minha mãe: ‘eu vou estar nesse espetáculo’. No ano seguinte, recebi o convite. Tem uma energia aqui que mexe com a gente”, relatou. O ator também destacou a intensidade da experiência durante o período de apresentações. “É muita dedicação, muita gente envolvida em um único propósito, que é emocionar o público. Eu largo tudo por 15 dias para estar aqui. É paixão mesmo”, disse.

Interpretando personagens no núcleo dos fariseus, Gondim ressaltou a importância do trabalho coletivo em cena. “Existe um jogo entre a gente. Fora do palco é abraço, mas em cena a energia muda completamente. Os atores são muito generosos, isso facilita tudo”, afirmou. Outro ponto destacado na entrevista foi a atualidade do texto escrito por Plínio Pacheco na década de 1960. Para Thiago, a obra continua dialogando com o presente. “É impressionante como o texto segue atual. Todo ano eu saio daqui com uma interpretação diferente. Ele é reflexivo, pedagógico e ainda diz muito sobre o mundo de hoje”, pontuou.

Entre os momentos mais marcantes da montagem, Lúcio Lombardi destacou o desfecho do espetáculo, que neste ano traz um efeito especial com o “voo” de Cristo. “Foram anos de testes até conseguir. Hoje, o público acompanha a subida com um canhão de luz e efeitos que tornam a cena ainda mais emocionante”, explicou.

Ao final, a entrevista reforça o legado cultural da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, considerada uma das maiores encenações ao ar livre do mundo, e o envolvimento emocional de quem participa da produção. “Aqui é uma mistura de teatro, cinema e rádio. Tudo para fazer o público sentir e se emocionar”, concluiu Lúcio Lombardi.