Brasil aprova novo tratamento contra câncer raro com redução de 83% no avanço da doença

O Brasil passou a contar com uma nova opção de tratamento para o mieloma múltiplo, um tipo raro de câncer que afeta as células de defesa do sangue. A combinação de dois medicamentos de imunoterapia foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em junho e apresentou resultados que indicam redução de 83% no risco de progressão da doença ou morte em comparação com terapias anteriores.
O mieloma múltiplo acontece quando células chamadas plasmócitos começam a se multiplicar de forma descontrolada, prejudicando o funcionamento do organismo. A doença pode causar dores e fraturas nos ossos, anemia, cansaço, alterações nos rins e aumento da frequência de infecções. No Brasil, são registrados mais de 7 mil novos casos por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).
Em Pernambuco, dados do Datasus apontam que 1.190 casos foram diagnosticados entre 2014 e 2024, uma média de 119 registros anuais. A maior parte dos pacientes é formada por pessoas mais velhas, e o diagnóstico pode ser dificultado porque alguns sintomas, como dores e fadiga, podem ser confundidos com sinais comuns do envelhecimento.
Apesar da aprovação, o novo tratamento ainda não está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e atualmente é restrito à rede privada. A terapia foi avaliada em estudos com pacientes que já haviam passado por outros tratamentos e tiveram retorno da doença, com o objetivo de aumentar o tempo de controle do câncer e melhorar a qualidade de vida.
Por Millena Galvão
