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Brasil inicia mobilização nacional para coletar DNA de familiares de desaparecidos


  • 24 de agosto de 2026 às 16h15min

O sistema ainda permite comparar os dados com materiais genéticos obtidos de cadáveres e ossadas sem identificação. (Foto: reprodução)

Encontrar uma pessoa desaparecida pode depender de uma informação que permanece registrada no próprio material genético. Para ampliar as chances de identificação, o Ministério da Justiça iniciou nesta segunda-feira (24) uma nova edição da Semana de Mobilização Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas.

A iniciativa segue até sexta-feira (28) em parceria com as secretarias estaduais de Segurança Pública. Ao todo, foram disponibilizados 342 pontos de coleta distribuídos pelos estados brasileiros — oito a mais do que na mobilização realizada no ano passado.

Durante a campanha, familiares de pessoas desaparecidas podem fornecer material genético que será encaminhado aos bancos de DNA. As informações são posteriormente comparadas com perfis genéticos de pessoas que ainda não foram identificadas. O cruzamento também pode ajudar na identificação de pessoas encontradas em situação de rua, internadas sem identificação ou que não conseguem informar a própria identidade. O sistema ainda permite comparar os dados com materiais genéticos obtidos de cadáveres e ossadas sem identificação.

Embora a mobilização tenha um período específico, a coleta não ficará restrita a esta semana. Depois do encerramento da campanha, familiares poderão continuar fornecendo material genético ao longo do ano em unidades da Polícia Civil. A estratégia vem sendo ampliada pelo governo nos últimos anos. Criada em 2021 e fortalecida a partir de 2024, a campanha contribuiu para elevar de 3.110 para 14.139 o número de amostras reunidas no período de cinco anos.

O esforço já produziu resultados. Desde 2022, o cruzamento de perfis genéticos possibilitou 815 identificações, segundo dados do Ministério da Justiça. A maior parte dos registros utilizados nas comparações está relacionada a pessoas mortas ou encontradas sem identificação.

A ampliação da coleta ocorre em um cenário de milhares de desaparecimentos registrados anualmente no país. Somente em 2025, mais de 80 mil ocorrências foram contabilizadas. Apesar do número elevado, a maioria das pessoas desaparecidas acaba sendo localizada com vida.

Com a coleta de material genético de familiares, o governo busca ampliar a base de dados disponível e aumentar as possibilidades de reunir famílias com pessoas que permanecem sem identificação.

Por Jorge Brandão