Brasil inicia mobilização nacional para coletar DNA de familiares de desaparecidos

Encontrar uma pessoa desaparecida pode depender de uma informação que permanece registrada no próprio material genético. Para ampliar as chances de identificação, o Ministério da Justiça iniciou nesta segunda-feira (24) uma nova edição da Semana de Mobilização Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas.
A iniciativa segue até sexta-feira (28) em parceria com as secretarias estaduais de Segurança Pública. Ao todo, foram disponibilizados 342 pontos de coleta distribuídos pelos estados brasileiros — oito a mais do que na mobilização realizada no ano passado.
Durante a campanha, familiares de pessoas desaparecidas podem fornecer material genético que será encaminhado aos bancos de DNA. As informações são posteriormente comparadas com perfis genéticos de pessoas que ainda não foram identificadas. O cruzamento também pode ajudar na identificação de pessoas encontradas em situação de rua, internadas sem identificação ou que não conseguem informar a própria identidade. O sistema ainda permite comparar os dados com materiais genéticos obtidos de cadáveres e ossadas sem identificação.
Embora a mobilização tenha um período específico, a coleta não ficará restrita a esta semana. Depois do encerramento da campanha, familiares poderão continuar fornecendo material genético ao longo do ano em unidades da Polícia Civil. A estratégia vem sendo ampliada pelo governo nos últimos anos. Criada em 2021 e fortalecida a partir de 2024, a campanha contribuiu para elevar de 3.110 para 14.139 o número de amostras reunidas no período de cinco anos.
O esforço já produziu resultados. Desde 2022, o cruzamento de perfis genéticos possibilitou 815 identificações, segundo dados do Ministério da Justiça. A maior parte dos registros utilizados nas comparações está relacionada a pessoas mortas ou encontradas sem identificação.
A ampliação da coleta ocorre em um cenário de milhares de desaparecimentos registrados anualmente no país. Somente em 2025, mais de 80 mil ocorrências foram contabilizadas. Apesar do número elevado, a maioria das pessoas desaparecidas acaba sendo localizada com vida.
Com a coleta de material genético de familiares, o governo busca ampliar a base de dados disponível e aumentar as possibilidades de reunir famílias com pessoas que permanecem sem identificação.
Por Jorge Brandão
