Butantan aponta aumento de acidentes com escorpiões e destaca áreas de maior risco no Brasil

O Instituto Butantan divulgou um estudo que aponta aumento significativo nos acidentes com escorpiões no Brasil. Entre 2012 e 2024, foram registrados mais de 1,7 milhão de casos e 1.230 mortes. No período, a taxa de ocorrências passou de 31 para 142 casos a cada 100 mil habitantes, um crescimento de 349%.
Segundo o levantamento, as regiões Nordeste e Sudeste concentram 87% dos registros. As áreas consideradas de maior risco estão localizadas no sul da Bahia, norte de Minas Gerais e noroeste de São Paulo. Os pesquisadores associam o avanço dos acidentes a fatores como mudanças climáticas, expansão urbana, redução da vegetação e aumento das temperaturas.
No Nordeste, Pernambuco aparece entre os estados que registraram crescimento dos casos nos últimos anos, ao lado de Alagoas e Rio Grande do Norte. O estudo destaca que essa faixa do litoral nordestino vem apresentando aumento contínuo das ocorrências, reforçando a necessidade de medidas preventivas e conscientização da população.
Os pesquisadores identificaram que municípios com temperaturas elevadas, menor volume de chuvas e menor cobertura vegetal apresentam maior risco de acidentes. Já cidades com mais áreas verdes tendem a registrar índices menores. Outro fator preocupante é a capacidade de reprodução dos escorpiões, já que algumas espécies conseguem gerar filhotes sem a presença de machos, favorecendo a rápida expansão da população.
O estudo também aponta que os meses entre setembro e dezembro concentram o maior número de ocorrências. Os escorpiões costumam se abrigar em locais com lixo acumulado, entulhos, materiais de construção, galerias subterrâneas e redes de esgoto, além de ambientes com grande presença de baratas, sua principal fonte de alimento.
Em caso de picada, a orientação é lavar o local com água e sabão, fazer compressa morna e procurar atendimento médico imediatamente. O cuidado deve ser redobrado com crianças, já que os casos graves podem evoluir rapidamente e exigir a aplicação de soro antiescorpiônico.
Por Millena Galvão
