Carta da Fiocruz aos candidatos defende fortalecimento do SUS e investimento em ciência

A saúde deve ocupar um espaço central no debate eleitoral de 2026, segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A instituição divulgou nesta segunda-feira (24) uma carta aberta aos candidatos que disputarão cargos eletivos no próximo ano, reunindo propostas e temas considerados essenciais para o futuro das políticas de saúde e ciência no Brasil.
O documento foi elaborado como uma contribuição ao debate público e busca dialogar com candidatos, equipes responsáveis pela elaboração de programas de governo e a sociedade. A Fiocruz destaca que os desafios da saúde não estão restritos ao atendimento médico ou à estrutura dos hospitais, mas também envolvem questões sociais, ambientais, econômicas e científicas.
Entre os principais problemas apontados estão as diferenças no acesso aos serviços de saúde entre as regiões brasileiras, os efeitos das mudanças climáticas, a violência e o avanço da desinformação. Para a instituição, melhorar as condições de saúde da população exige políticas que considerem fatores como trabalho, meio ambiente, organização social, produção de conhecimento e fortalecimento da democracia.
A carta apresenta sete prioridades que, na avaliação da Fiocruz, devem fazer parte das discussões sobre os rumos do país nos próximos anos.
Sete prioridades
Fortalecimento do SUS: ampliar a capacidade do Sistema Único de Saúde e melhorar a qualidade do atendimento oferecido à população em todas as regiões do país.
Valorização dos profissionais: desenvolver políticas voltadas aos trabalhadores da área da saúde, incluindo melhores condições de trabalho e valorização profissional.
Mais ciência e tecnologia: aumentar a capacidade brasileira de produzir vacinas, medicamentos e outras tecnologias estratégicas para a saúde.
Redução das desigualdades: combater as diferenças no acesso à saúde e ampliar a proteção de grupos e populações em situação de maior vulnerabilidade.
Preparação para crises: desenvolver estratégias para enfrentar os impactos das mudanças climáticas e responder com maior rapidez a novas emergências sanitárias e possíveis pandemias.
Combate à desinformação: recuperar e fortalecer a confiança da população nas instituições e na ciência, além de ampliar o diálogo entre pesquisadores e sociedade.
Desenvolvimento sustentável: defender políticas de desenvolvimento que conciliem crescimento econômico, preservação ambiental e o fortalecimento da participação brasileira na cooperação internacional em saúde.
Ao apresentar a carta, a Fiocruz afirma que pretende contribuir para que a saúde seja tratada de maneira ampla durante o processo eleitoral. A proposta é estimular o diálogo sobre políticas capazes de enfrentar os desafios atuais e preparar o país para as próximas décadas.
Por Jorge Brandão
