Caso Benício: médica é indiciada por homicídio doloso após morte de menino de 6 anos

A Polícia Civil do Amazonas indiciou a médica Juliana Brasil por homicídio doloso no caso da morte do menino Benício Xavier, de 6 anos. A conclusão do inquérito aponta que a profissional assumiu o risco de causar a morte ao prescrever de forma incorreta a administração de adrenalina durante o atendimento.
De acordo com a investigação, o medicamento foi indicado para aplicação por via endovenosa, diretamente na corrente sanguínea, quando o procedimento correto, segundo a polícia, seria por inalação. A conduta teria provocado uma overdose, levando a um agravamento imediato do quadro clínico da criança.
Além da médica, uma técnica de enfermagem também foi indiciada no mesmo caso. A polícia considera que houve responsabilidade compartilhada na execução do procedimento que antecedeu as sucessivas paradas cardíacas sofridas pelo menino.
O inquérito também aponta indícios de que a médica teria reconhecido o erro após o início das complicações, em mensagens enviadas a colegas. Para os investigadores, o conjunto de provas sustenta a tipificação como homicídio doloso, quando há intenção ou assunção do risco de matar.
A defesa de Juliana Brasil contesta a conclusão e afirma que o indiciamento é precipitado. Segundo o advogado Sergio Figueiredo, não há nexo causal direto entre o atendimento inicial e a morte, que ocorreu horas depois em ambiente hospitalar distinto, já em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
O caso agora segue para análise do Ministério Público, que irá decidir se oferece denúncia à Justiça.
Por Mirelly Rodrigues
