Caso do bolo envenenado: Sogra detalha preparação em depoimento

Em um depoimento à Polícia Civil do Rio Grande do Sul, Zeli dos Anjos, sogra de Deise Moura dos Anjos, acusada de envenenar a farinha usada em um bolo de reis que resultou em três mortes em Torres (RS), revelou os detalhes do ocorrido.
De acordo com a investigação policial, Deise teria adicionado arsênio à farinha utilizada por Zeli. A sogra explicou que decidiu preparar o bolo em 23 de dezembro, em memória de seu marido, Paulo, que morreu no ano passado e também teria sido envenenado por Deise com leite em pó adulterado.
Zeli relatou que, no dia 23, foi ao mercado comprar os ingredientes que faltavam: açúcar mascavo, margarina, leite condensado, ovos e passas brancas. Em casa, ela utilizou a farinha que estava embaixo da pia, além de passas pretas e frutas cristalizadas. A sogra mencionou que “esqueceu de colocar fermento no bolo” e que o glacê foi feito com o açúcar disponível em casa.
Durante o preparo, Zeli afirmou que “não experimentou a massa do bolo, nem sentiu odor diferente”, apesar de ter achado a farinha “estranha”. Ela peneirou a farinha, mas atribuiu a aparência ao fato de ser de doação, de uma marca desconhecida. O bolo foi preparado na residência de Zeli, em Arroio do Sal, e levado para Torres, onde mora sua irmã Maida.
O bolo começou a ser consumido por volta das 16h ou 17h. Tatiana, sobrinha de Zeli e uma das vítimas fatais, foi a primeira a provar o bolo e reclamou do gosto estranho. “Dinda, não foi você que fez esse bolo? Está com um gosto estranho,” teria dito Tatiana.
Ao perceber o gosto peculiar, Zeli pediu para que ninguém mais comesse o bolo. Mesmo assim, Neuza, outra irmã de Zeli, ingeriu uma pequena fatia. Maida, uma das primeiras a apresentar sintomas, foi seguida por Mateus, sobrinho-neto de Zeli.
Zeli também começou a sentir os sintomas, vomitando no tanque e defecando pela casa antes de desmaiar devido ao mal-estar.
[instagram-feed feed=1]
