CFM proíbe uso de PMMA em procedimentos estéticos no Brasil

O Conselho Federal de Medicina proibiu, nesta sexta-feira (29), o uso do polimetilmetacrilato (PMMA) para fins estéticos e também reparadores. A substância, conhecida por ser utilizada como preenchedor, vinha sendo aplicada em diversos procedimentos, especialmente corporais.
A única exceção definida pela nova norma é para o tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/Aids, que deverá ocorrer exclusivamente em unidades de alta complexidade vinculadas ao Sistema Único de Saúde, seguindo protocolos do Ministério da Saúde.
Segundo o CFM, a resolução será publicada no início de junho. O anúncio oficial será detalhado em coletiva conduzida pelo presidente do órgão, José Hiran da Silva Gallo, e pela relatora da medida, Graziela Bonin.
O conselho já havia solicitado anteriormente à Agência Nacional de Vigilância Sanitária a proibição do PMMA. O material é um tipo de plástico com diversas aplicações, mas, na medicina estética, é usado como gel para preenchimento cutâneo.
Apesar de haver regulamentação para uso restrito, a substância é considerada de alto risco. A Anvisa determinava critérios rigorosos, como dosagem controlada, locais específicos de aplicação e a obrigatoriedade de profissionais habilitados para o procedimento.
Casos e riscos
A decisão ocorre após uma série de complicações e mortes associadas ao uso do PMMA. Recentemente, uma mulher morreu em São Paulo após realizar um procedimento com a substância.
Outros casos já haviam chamado atenção, como o da influenciadora Aline Maria Ferreira da Silva, que morreu em 2024, e o da modelo Andressa Urach, que enfrentou graves complicações após aplicação do produto.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, o uso do PMMA pode provocar reações imediatas, como inchaço, inflamação e alergias, além de efeitos tardios, incluindo formação de granulomas e complicações que podem surgir anos após o procedimento.
Especialistas também alertam para riscos mais graves, como necrose — causada pela compressão de vasos sanguíneos — e infecções, já que bactérias podem aderir ao material, dificultando o tratamento com antibióticos.
Outro fator de preocupação é que o PMMA não é absorvido pelo organismo, o que pode levar a reações crônicas e, em alguns casos, exigir cirurgias complexas para remoção, com possibilidade de deformidades permanentes.
Fiscalização e orientação
Com a nova regra, o CFM reforça a necessidade de segurança nos procedimentos médicos e orienta a população a buscar profissionais qualificados e evitar substâncias não recomendadas.
A medida também acompanha um movimento crescente de restrição ao uso do PMMA, diante dos riscos à saúde e do aumento de casos de complicações relacionados ao produto.
Por Viliane Gomes
