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Justiça

Defesa de acusado pela morte de Beatriz pede transferência do júri para o Recife


  • 21 de julho de 2026 às 08h06min

Advogados alegam risco à imparcialidade dos jurados e à segurança durante o julgamento, que ainda não tem data definida. (Foto: Reprodução)

A defesa de Marcelo da Silva, réu pelo assassinato da menina Beatriz Angélica Mota, de 7 anos, pediu à Justiça de Pernambuco a transferência do julgamento do júri popular de Petrolina para o Recife. O pedido, conhecido como desaforamento, ainda será analisado pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).

Segundo os advogados, a mãe de Beatriz, Lucinha Mota, atualmente figura pública com atuação política em Petrolina, poderia influenciar a imparcialidade dos jurados. A defesa argumenta que apoiadores e eleitores dela podem integrar o Conselho de Sentença, o que, na avaliação dos advogados, comprometeria a isenção do julgamento.

A defesa também afirma que há risco à integridade física de Marcelo da Silva e dos advogados caso o júri seja realizado em Petrolina. Como justificativa, cita a forte comoção popular em torno do caso e episódios de tensão registrados durante audiências realizadas em 2022, quando, segundo os advogados, foi necessário reforço da Polícia Militar para evitar tumultos.

O assassinato de Beatriz teve repercussão nacional. A menina foi morta com 42 golpes de faca durante a festa de formatura da irmã, em uma escola particular de Petrolina, em dezembro de 2015. Após mais de seis anos de investigação, a Polícia Civil apontou Marcelo da Silva como autor do crime, com base em exames de DNA encontrados na faca apreendida.

Na época da prisão, Marcelo confessou o assassinato e afirmou que entrou na escola para furtar e matou a criança após ela gritar. Durante o processo, no entanto, a defesa passou a negar a autoria do crime e questiona a validade da confissão e das provas apresentadas pela investigação.

Marcelo responde por homicídio triplamente qualificado e será submetido a júri popular. Antes da realização do julgamento, porém, o Tribunal de Justiça deverá decidir se o processo permanecerá em Petrolina ou será transferido para o Recife.

Por Mirelly Rodrigues