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Saúde

Desigualdade no acesso à mamografia compromete combate ao câncer de mama no Brasil


  • 19 de outubro de 2025 às 14h45min

Estudo revela concentração de equipamentos no Sudeste e baixa cobertura no SUS, dificultando diagnóstico precoce em regiões mais vulneráveis. (Foto: Reprodução)

Apesar dos avanços na tecnologia médica e das campanhas de conscientização, o enfrentamento ao câncer de mama no Brasil ainda esbarra em um obstáculo estrutural: a distribuição desigual dos mamógrafos pelo território nacional. Segundo o Atlas da Radiologia no Brasil 2025, elaborado pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), o país possui 6.826 aparelhos em funcionamento, mas quase metade está concentrada na região Sudeste.

O levantamento mostra que São Paulo sozinho reúne 1.523 mamógrafos — mais do que toda a região Norte, que conta com apenas 482 equipamentos. Estados como Roraima, Acre e Amapá têm menos de 30 aparelhos cada, evidenciando um cenário de disparidade que afeta diretamente o acesso ao diagnóstico precoce.

A desigualdade também se reflete entre os sistemas público e privado. Das mais de 6,800 unidades disponíveis, apenas 3.412 estão acessíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS), responsável por atender cerca de 75% da população brasileira. Isso representa uma média de apenas 2,13 mamógrafos por 100 mil habitantes dependentes da rede pública — número considerado insuficiente por especialistas.

No Acre, por exemplo, apenas sete dos 23 aparelhos estão disponíveis no SUS. Em Roraima, a proporção é semelhante. No Distrito Federal, apenas 15% dos mamógrafos podem ser utilizados por pacientes da rede pública.

A média nacional é de 3,21 mamógrafos por 100 mil habitantes. Roraima apresenta a menor densidade (1,53), seguido por Ceará (2,23) e Pará (2,25). Já a Paraíba lidera com 4,32, seguida pelo Distrito Federal (4,26) e Rio de Janeiro (3,93).

Em setembro, o Ministério da Saúde atualizou as diretrizes de rastreamento, recomendando que mulheres entre 40 e 49 anos — mesmo sem sintomas — realizem mamografias. Essa faixa etária concentra cerca de 23% dos casos de câncer de mama no país. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), mais de 73 mil mulheres recebem o diagnóstico da doença todos os anos.

No entanto, a recomendação esbarra na realidade: muitas mulheres ainda enfrentam dificuldades para realizar o exame, especialmente nas regiões com menor cobertura.

“O Brasil até dispõe de um número razoável de equipamentos, mas ainda enfrenta sua má distribuição e dificuldades de acesso. O rastreamento precisa ser equitativo e efetivo. Isso exige planejamento, integração entre os setores e políticas públicas que garantam acesso universal à mamografia”, afirma o presidente do CBR, Rubens Chojniak.

O estudo reforça a necessidade de ações coordenadas para garantir que o diagnóstico precoce — essencial para aumentar as chances de cura — seja uma realidade para todas as brasileiras, independentemente da região ou condição socioeconômica.


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