Dia dos Avós reforça reflexão sobre um Brasil com mais idosos e famílias menores

Além das homenagens, o Dia dos Avós, celebrado em 26 de julho, também abre espaço para uma reflexão sobre as mudanças na estrutura das famílias brasileiras. Com o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população, o Brasil caminha para uma realidade com mais pessoas chegando à fase da avosidade e permanecendo nela por mais tempo, enquanto as famílias têm cada vez menos filhos.
Embora não exista uma estatística oficial que informe quantos avós existem no Brasil, os indicadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ajudam a entender essa mudança. Em 2025, o país chegou a cerca de 35,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, contra 22,2 milhões em 2012, um crescimento de aproximadamente 59%.
A maior presença de idosos ocorre junto com uma transformação no número de filhos por família. De acordo com o Censo 2022 do IBGE, a taxa de fecundidade brasileira caiu para 1,55 filho por mulher, o menor índice já registrado pelo instituto. Em 1960, a média era de 6,28 filhos por mulher. A redução significa que as novas gerações estão crescendo em famílias menores, enquanto pessoas mais velhas permanecem vivas por mais tempo, alterando a proporção entre avós e netos.
Além da mudança demográfica, o papel dos avós dentro das famílias também passou por transformações. Muitos deixaram de ocupar apenas uma função de convivência eventual e passaram a participar ativamente da rotina dos netos, ajudando nos cuidados, na educação e no suporte familiar. Com a maior longevidade, essa participação pode se estender por mais anos, fortalecendo a troca de experiências entre diferentes gerações.
O cenário revela uma nova configuração das famílias brasileiras: enquanto o avanço da expectativa de vida amplia o número de pessoas que podem exercer a avosidade, a queda no número de nascimentos reduz o tamanho das novas gerações. O Dia dos Avós, portanto, também representa uma oportunidade para observar como o envelhecimento da população está redesenhando os vínculos familiares no país.
Por Millena Galvão
