Doença celíaca ainda enfrenta desafios de diagnóstico e tratamento no Brasil

Celebrado neste sábado (16), o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Celíaca chama atenção para os desafios enfrentados por pessoas diagnosticadas com a enfermidade, além da necessidade de ampliar o acesso ao diagnóstico, ao tratamento e à informação no Sistema Único de Saúde (SUS).
A doença celíaca é uma condição autoimune desencadeada pela ingestão de glúten, proteína presente no trigo, cevada e centeio. Quando consumido por pessoas com predisposição genética, o glúten provoca uma reação imunológica que danifica o intestino delgado e compromete a absorção de nutrientes, podendo causar sintomas como dores abdominais, diarreia, anemia, aftas recorrentes, infertilidade e dificuldades no crescimento infantil.
Segundo especialistas, o subdiagnóstico ainda é um dos principais obstáculos no Brasil. A estimativa é de que apenas cerca de 20% das pessoas com doença celíaca tenham sido diagnosticadas, o que significa que milhões de brasileiros podem conviver com a condição sem saber. O diagnóstico precoce é considerado fundamental para evitar complicações mais graves, como desnutrição e até câncer intestinal.
Atualmente, o único tratamento eficaz é a adoção de uma dieta totalmente livre de glúten, além de cuidados para evitar contaminação cruzada durante o preparo dos alimentos. Pacientes também enfrentam dificuldades relacionadas ao acesso a produtos específicos e à falta de conhecimento sobre a doença em estabelecimentos e serviços de alimentação.
Entre os avanços recentes, o Ministério da Saúde atualizou em 2025 o protocolo clínico da doença celíaca no SUS. Também seguem em andamento projetos e campanhas educativas para ampliar a conscientização e fortalecer políticas públicas de acolhimento, diagnóstico e segurança alimentar para pessoas celíacas.
Por Millena Galvão
