Economia criativa fortalece negócios e gera renda para centenas de famílias no Alto do Moura

O São João de Caruaru movimenta diversos setores da economia, mas um dos principais destaques está na valorização da economia criativa. Por meio de investimentos, incentivo à produção autoral e fortalecimento das tradições locais, o município impulsiona negócios que geram emprego, renda e preservam a identidade cultural da região. O tema foi abordado no quarto episódio da série especial “Arraial de Negócios”, exibido na quinta-feira (4), no programa Manhã Cidade, da Cidade 99.7 FM.

(Foto: Reportagem Cidade 99.7)
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Tecnologia e Economia Criativa de Caruaru (Sedetec), Jaime Anselmo, destacou a dimensão do impacto gerado pelo São João. “Mais de 20 mil empregos são gerados e impactados durante o nosso São João. Isso vai desde salões de beleza e comércio até o pessoal da confecção. É uma cadeia muito grande que é diretamente impactada pela movimentação financeira da festa”, afirmou.
Segundo o secretário, o município mantém políticas públicas voltadas para estimular a produção criativa local e fortalecer a identidade dos empreendedores. “A gente tem uma política pública voltada exclusivamente para a economia criativa, estimulando esses setores a fazer uma moda autoral e a procurar se diferenciar no mercado. Hoje é tudo muito parecido. Quem consegue se destacar sai um pouco à frente”, explicou.

No Alto do Moura, considerado o Maior Centro de Artes Figurativas das Américas, o artesanato em barro continua sendo uma das principais atividades econômicas da comunidade. O setor gera renda para mais de 200 famílias e registra aumento significativo nas vendas durante o São João.
O vice-presidente da Associação dos Artesãos em Barro e Moradores do Alto do Moura, Helton Rodrigues, ressaltou o papel da entidade no fortalecimento do segmento. “Essa associação sempre procurou lutar pelos associados em todos os segmentos, principalmente na parte artesanal, que é o legado deixado pelos nossos mestres. Nós sabemos da importância dessa tradição para a comunidade”, destacou.
Ele também reforçou a preocupação em oferecer uma boa experiência aos visitantes. “A gente procura dialogar com os comerciantes para saber como receber as milhares de pessoas que vêm para a comunidade, principalmente no setor gastronômico, buscando preços acessíveis para que os turistas retornem outras vezes ao Alto do Moura”, afirmou.

Entre os artesãos que mantêm viva a tradição está Emanuel Vitalino, neto do mestre Vitalino. Segundo ele, o crescimento do turismo tem contribuído para ampliar as vendas e fortalecer o setor. “Dos últimos anos para cá, as vendas vêm aumentando cada vez mais. Nós sobrevivemos da arte do barro e precisamos do turista aqui na nossa comunidade para comprar nossa arte e levar para sua casa”, disse.
Emanuel também destacou a importância do legado deixado pelo avô. “Meu avô fez questão de passar essa arte para frente. Hoje, várias famílias sobrevivem através da arte do barro que começou com o mestre Vitalino. É muito importante dar continuidade a esse legado”, ressaltou.
Por Juliana Santos
