Endividamento das famílias brasileiras bate recorde em março, aponta CNC

O número de brasileiros com dívidas a pagar atingiu um novo recorde em março de 2026. Segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 80,4% das famílias declararam estar endividadas, o maior índice desde o início da série histórica, em 2010.
O avanço ocorre em um cenário de pressão econômica, influenciado pela alta nos preços do petróleo em meio ao conflito no Oriente Médio. Somado aos juros elevados, o aumento no custo dos combustíveis tem impactado o poder de compra da população, levando muitas famílias a recorrer ao crédito para cobrir despesas básicas.
De acordo com a CNC, o crescimento do endividamento foi puxado principalmente pelas famílias de maior renda, que utilizam o crédito como estratégia para manter o padrão de consumo. Entre aqueles que recebem acima de 10 salários mínimos, o índice de endividados chegou a 69,9%.
O cartão de crédito segue como principal modalidade de dívida, presente em cerca de 85% dos casos. Na sequência aparecem os carnês, o crédito pessoal e os financiamentos de imóveis e veículos.
Apesar do recorde no número de endividados, os indicadores de inadimplência apresentaram estabilidade. O percentual de contas em atraso ficou em 29,6% em março, mesmo nível registrado no mês anterior, embora ainda acima do observado no mesmo período de 2025.
Já o número de pessoas que afirmam não ter condições de pagar as dívidas atrasadas teve leve queda, ficando em 12,3%. A pesquisa também aponta uma pequena melhora na percepção dos consumidores, com redução no total de entrevistados que se consideram “muito endividados”.
Mesmo assim, o cenário ainda é de atenção, com grande parte da renda das famílias comprometida com dívidas, refletindo os efeitos prolongados dos juros altos na economia brasileira.
Por: Mirelly Rodrigues
