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Saúde

Especialista alerta para prevenção do colesterol e combate à desinformação sobre tratamento


  • 8 de agosto de 2026 às 14h09min

Hábitos saudáveis, diagnóstico precoce e uso correto de medicamentos são fundamentais para evitar doenças cardiovasculares. (Imagem: reprodução)

No Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, celebrado neste sábado (8), especialistas reforçam a importância da prevenção como principal estratégia para reduzir riscos cardiovasculares.

Renato Jorge Alves, vice-presidente do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), destaca que um estudo recente recomenda a realização do exame de colesterol a partir dos 10 anos de idade. Segundo ele, o acompanhamento preventivo deve incluir também a dosagem de glicose.

O médico ressaltou que a adoção de hábitos saudáveis é essencial para evitar o acúmulo de fatores de risco, como colesterol elevado, diabetes e hipertensão, que aumentam as chances de infarto. Caso alterações sejam identificadas, é fundamental buscar orientação médica e seguir corretamente o tratamento.

Alves também alertou para os riscos da desinformação, especialmente nas redes sociais, onde circulam conteúdos que desestimulam o uso de medicamentos. Segundo ele, interromper o tratamento pode agravar o quadro, já que o colesterol tende a voltar a subir, assim como ocorre em doenças crônicas.

Alimentação e mitos

A Sociedade Brasileira de Cardiologia destaca que o colesterol elevado está diretamente ligado ao estilo de vida. Dietas restritivas, como a chamada dieta carnívora — baseada exclusivamente no consumo de carne — não são recomendadas.

De acordo com o especialista, esse tipo de alimentação é rico em gordura saturada, que contribui para o aumento do colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”. Além disso, pode elevar o ácido úrico e favorecer o acúmulo de placas nas artérias.

Uma dieta equilibrada, com proteínas, carboidratos e gorduras em proporções adequadas, continua sendo a melhor abordagem para a saúde cardiovascular.

Mudanças no estilo de vida

A principal recomendação para controlar o colesterol envolve alimentação saudável e prática regular de atividade física. É importante reduzir o consumo de gorduras saturadas, presentes em carnes vermelhas e alimentos industrializados, e evitar gorduras trans, comuns em produtos ultraprocessados.

Segundo o cardiologista, mudanças na dieta podem reduzir os níveis de colesterol entre 5% e 10%. No entanto, como grande parte da substância é produzida pelo próprio organismo, em casos mais graves pode ser necessário tratamento medicamentoso.

A prática de exercícios deve somar entre 150 e 300 minutos por semana. O especialista também destacou a importância do sono adequado e do controle do estresse, fatores que influenciam diretamente o metabolismo e a saúde das artérias.

Tratamento e estatinas

Nos casos de origem genética, como a hipercolesterolemia familiar, o uso de medicamentos — especialmente as estatinas — é indispensável. O tratamento não deve ser interrompido sem orientação médica.

Caso necessário, outras medicações podem ser associadas para atingir as metas estabelecidas. O especialista lembra que há opções genéricas disponíveis, o que amplia o acesso ao tratamento.

Ele reforça que os benefícios das estatinas são comprovados por décadas de estudos científicos, com evidências consistentes de redução de infarto, AVC e mortalidade por doenças cardiovasculares.

Doença genética e riscos

A hipercolesterolemia familiar é uma condição hereditária que pode causar níveis extremamente elevados de colesterol desde a infância, aumentando o risco de eventos graves, como infarto precoce.

O diagnóstico e o início do tratamento ainda na infância são fundamentais para melhorar a expectativa de vida desses pacientes.

Fatores de risco

Infarto e acidente vascular cerebral (AVC) continuam entre as principais causas de morte no Brasil e no mundo. Entre os principais fatores de risco estão colesterol elevado, diabetes, tabagismo, hipertensão e obesidade.

Segundo o especialista, a obesidade tem ganhado relevância por provocar um estado inflamatório crônico que favorece complicações cardiovasculares.

Outras doenças inflamatórias, como lúpus, HIV e artrite reumatoide, também podem contribuir para o aumento do risco, embora em menor escala.

A recomendação geral é investir em prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento médico contínuo para reduzir o impacto dessas doenças.

Por Viliane Gomes