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Meio Ambiente

Estudo prevê criação de áreas de proteção para montes submarinos no Nordeste com participação da UFPE


  • 8 de novembro de 2026 às 12h17min

Três unidades de conservação podem proteger mais de 18 milhões de hectares de ecossistemas marinhos. (Foto: Reprodução)

Uma proposta de criação de três unidades de conservação marinha no Nordeste pretende proteger mais de 18,2 milhões de hectares de montes oceânicos, formações submarinas que podem chegar a 5 mil metros de altura e abrigam mais de 100 espécies de peixes, tubarões, corais e esponjas. Os estudos que embasam a iniciativa contaram com a participação de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

A proposta é conduzida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e prevê a criação de dois Refúgios de Vida Silvestre (Revis), chamados Cadeia Fernando de Noronha e Cadeia Norte do Brasil, e de uma Área de Proteção Ambiental (APA) dos Montes Oceânicos. Juntas, as três áreas somam 18.219.322 hectares, o equivalente a aproximadamente 182 mil quilômetros quadrados.

Os montes submarinos também funcionam como corredores ecológicos para tartarugas, aves e outras espécies migratórias. A primeira consulta pública sobre a criação das unidades foi realizada na sexta-feira (6), em Natal, no Rio Grande do Norte. Um segundo encontro está previsto para segunda-feira (9), em Fortaleza, no Ceará.

Os estudos começaram em 2016 e foram desenvolvidos por pesquisadores da UFPE, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (Cepene/ICMBio) e do Instituto Recifes Costeiros (Ircos).

Pesca industrial e mineração preocupam pesquisadores

A pesca industrial, principalmente a captura de atuns por embarcações de médio e grande porte, é apontada como a atividade de maior impacto sobre a biodiversidade dessas áreas. A estimativa é de que o setor movimente entre R$ 100 milhões e R$ 127 milhões por ano.

Outra preocupação é a mineração marinha. Existem projetos de extração de fosfato no topo dos montes oceânicos, material utilizado na produção de fertilizantes. Segundo representantes do ICMBio, a atividade pode causar danos permanentes a formações de corais e rodolitos, com poucas possibilidades de regeneração.

As regras previstas variam conforme a categoria de proteção. Nos Refúgios de Vida Silvestre, que são unidades de proteção integral, atividades como pesca industrial e mineração não serão permitidas. Na APA, onde o uso dos recursos naturais é mais flexível, atividades econômicas dependerão de avaliação de viabilidade socioambiental.

Participação de pescadores e comunidades tradicionais

Durante a consulta pública em Natal, representantes dos pescadores demonstraram preocupação com possíveis impactos das unidades sobre a atividade e a renda da categoria. O ICMBio informou que a pesca artesanal não deverá sofrer restrições, porque ocorre mais próxima da costa e fora dos limites das áreas propostas.

Representantes de comunidades tradicionais também defenderam maior participação social na discussão e na gestão dos espaços protegidos.

Meta internacional de conservação

A proposta também está relacionada ao compromisso internacional conhecido como meta 30×30, estabelecido durante a COP15 da Biodiversidade, em 2022. O acordo prevê a proteção de pelo menos 30% das áreas terrestres e marinhas até 2030.

Segundo o ICMBio, o Brasil contabiliza aproximadamente 28% de cobertura marinha protegida, considerando unidades de conservação federais, estaduais e municipais. Entre as propostas de proteção marinha em andamento no país está a criação da Reserva Extrativista Rio Formoso, em Pernambuco.

Por Mirelly Rodrigues 

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