Exploração sexual infantil cresce no ambiente digital e preocupa especialistas

A violência sexual contra crianças e adolescentes está ganhando um novo território no Brasil: o ambiente digital. O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta que crimes de exploração sexual infantil na internet cresceram de forma expressiva entre 2024 e 2025.
Pela primeira vez, o levantamento analisou microdados nacionais sobre esse tipo de crime cometido no ambiente virtual. Os registros de produção, posse ou distribuição de material envolvendo exploração sexual infantil aumentaram 25,3% no período, alcançando 4.063 vítimas. A maioria é formada por meninas, que representam 84,2% dos casos, enquanto os meninos correspondem a 15,8%. A faixa etária mais atingida é a de adolescentes de 14 e 15 anos, seguida por jovens de 12 a 13 anos e de 16 a 17. Crianças entre 9 e 11 anos também aparecem de forma significativa nas estatísticas.
O perfil dos autores também chamou atenção dos pesquisadores. Em 86,5% dos casos, os envolvidos são homens, mas mais de um terço dos autores identificados — 34,2% — são adolescentes. Entre as meninas que participam desses crimes, a atuação em grupo é mais comum do que a prática individual.
Para o Fórum, a presença tão expressiva de adolescentes entre os investigados reforça a urgência de políticas públicas voltadas à prevenção, educação digital e responsabilização de jovens envolvidos nesse tipo de violência. O estudo destaca que o enfrentamento aos crimes sexuais online exige ações integradas, que vão desde o fortalecimento das redes de proteção à infância até o monitoramento das plataformas digitais. Também inclui a necessidade de orientar famílias, escolas e adolescentes sobre os riscos e as consequências desse tipo de crime, que cresce à medida que a vida cotidiana se desloca para o ambiente virtual.
