Famílias já comprometem quase 30% da renda com dívidas no Brasil

As famílias brasileiras estão destinando, em média, 29,3% da renda para o pagamento de dívidas, segundo dados do Banco Central do Brasil. Ao mesmo tempo, um levantamento da Fundação Getulio Vargas mostra que o desconforto com o crédito atingiu o maior nível dos últimos 12 anos, refletindo a crescente dificuldade dos consumidores em manter as contas em dia diante de juros elevados e condições mais restritivas.
O cenário é medido pelo Indicador de Desconforto de Crédito (IDC), criado pela FGV, que leva em consideração o nível de endividamento, a inadimplência e a qualidade do crédito disponível no mercado. O índice varia de 0 a 1 e, quanto mais próximo de 1, pior a situação. Atualmente, o IDC alcançou 0,94, o maior patamar desde o início da série histórica, em 2014.
O aumento da parcela da renda comprometida com dívidas indica uma pressão crescente sobre o orçamento das famílias. Na prática, isso reduz a capacidade de consumo e dificulta o planejamento financeiro, já que sobra menos dinheiro para despesas básicas e imprevistos. Esse cenário também eleva o risco de atraso no pagamento de contas e crescimento da inadimplência.
