Golpe do “Limpa Nome” esconde mais de R$ 261 milhões em dívidas em Pernambuco

Um esquema conhecido como golpe do “Limpa Nome” já ocultou R$ 261,9 milhões em dívidas das bases públicas de consulta de crédito em Pernambuco. De acordo com levantamento dos Cartórios de Protesto, a prática retirou 7.480 protestos das consultas realizadas por instituições financeiras, empresas e comerciantes, afetando 557 credores e envolvendo 630 devedores no estado.
Em todo o país, o valor das dívidas escondidas chega a R$ 19,95 bilhões. Apesar de deixarem de aparecer nas consultas públicas, os débitos continuam existindo e permanecem regularmente registrados nos cartórios.
Segundo o Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil em Pernambuco (IEPTB-PE), o golpe é praticado por associações que se apresentam como entidades de defesa do consumidor e oferecem serviços para retirar registros negativos sem que as dívidas sejam efetivamente pagas.
A estratégia consiste em ingressar com ações judiciais alegando, entre outros argumentos, supostas irregularidades nas notificações dos protestos ou das negativações. Em alguns casos, decisões liminares determinam a suspensão temporária da divulgação das dívidas em centrais de consulta e órgãos de proteção ao crédito.
Com isso, os débitos deixam de aparecer para bancos, comerciantes e fornecedores que utilizam essas informações para avaliar riscos e conceder crédito. No entanto, os protestos continuam ativos nos cartórios e as dívidas permanecem válidas.
O IEPTB-PE alerta que o procedimento não elimina as obrigações financeiras dos devedores e pode criar uma falsa impressão de regularidade financeira. A orientação é que consumidores evitem contratar esse tipo de serviço e busquem a negociação direta dos débitos.
Diante do aumento dos casos em todo o país, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou o Provimento nº 225/2026, que estabelece mecanismos de monitoramento das decisões judiciais que determinam a retirada de protestos das consultas públicas de crédito. A medida busca ampliar o controle sobre os impactos dessas decisões na segurança das relações comerciais e financeiras.
Por Mirelly Rodrigues
