Governo pede que EUA excluam Embraer e alimentos de tarifa de 50%

O governo brasileiro solicitou aos Estados Unidos que excluam os setores de alimentos e a fabricante de aeronaves Embraer da tarifa de 50% sobre produtos nacionais, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto. A informação foi confirmada à agência Reuters por uma fonte brasileira envolvida diretamente nas negociações.
O pedido foi feito em conversas entre autoridades brasileiras e norte-americanas, incluindo telefonemas do vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick. Apesar da negativa oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que diz trabalhar pela suspensão ampla das tarifas, nos bastidores o governo reconhece que há setores considerados prioritários.
A principal preocupação está na Embraer, que tem dezenas de entregas previstas para companhias aéreas norte-americanas e pode ser fortemente impactada com possíveis cancelamentos de contratos. Já o setor de alimentos, como carne bovina, café e suco de laranja, também está entre os mais vulneráveis, com risco de prejuízos bilionários tanto para exportadores brasileiros quanto para consumidores norte-americanos.
No caso do suco de laranja, por exemplo, produtores já avaliam não colher parte da safra, caso a taxação seja confirmada, devido à inviabilidade econômica.
Desde que o ex-presidente Donald Trump anunciou o novo pacote tarifário, há 20 dias, o governo brasileiro tenta reverter ou mitigar os impactos da medida. Além dos setores citados, outros produtos estratégicos como celulose, combustíveis, ferro, aço e máquinas também podem ser duramente afetados.
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