IBGE: renda per capita do Brasil bate recorde em 2025, mas desigualdade cresce

O rendimento mensal real domiciliar per capita no Brasil alcançou um recorde de R$ 2.264 em 2025, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo IBGE. O valor representa uma alta de 6,9% em relação ao ano anterior e reflete melhora em todas as faixas de renda.
Apesar do avanço, a desigualdade voltou a crescer levemente. O índice de Gini, que mede a concentração de renda, subiu de 0,504 em 2024 — mínima histórica — para 0,511 em 2025. Ainda assim, permanece abaixo dos níveis registrados antes da pandemia.
Os números mostram que os ganhos foram mais expressivos entre os mais ricos. Os 10% com maior renda tiveram aumento de 8,7%, chegando a R$ 9.117 mensais por pessoa. Já o 1% mais rico registrou crescimento de 9,9%, com renda per capita de R$ 24.973. Em contraste, os 10% mais pobres tiveram alta de 3,1%, mas ainda sobrevivem com apenas R$ 268 mensais, o equivalente a R$ 8,93 por dia.
Entre os fatores que impulsionaram os rendimentos mais elevados estão o mercado de trabalho aquecido, a valorização de profissionais qualificados, os juros altos que aumentaram a rentabilidade de aplicações financeiras e o crescimento dos ganhos com aluguéis.
No recorte de longo prazo, porém, o cenário é diferente. Desde 2019, os 10% mais pobres viram sua renda crescer 78,7%, enquanto os 10% mais ricos tiveram avanço de 11,9%. A média da população subiu 18,9% no período, impulsionada por reajustes do salário mínimo e programas sociais.
Em 2025, os 10% mais ricos concentraram 40,3% de toda a massa de rendimentos domiciliares, recebendo em média 13,8 vezes mais do que os 40% mais pobres. A massa de rendimento mensal total atingiu R$ 481,4 bilhões, um crescimento de 7,3% em relação a 2024.
