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Janeiro registra alta incomum de focos de calor no país


  • 30 de janeiro de 2026 às 16h06min

Mês concentra número acima da média histórica. (Foto: Reprodução)

O mês de janeiro de 2026 apresentou um cenário fora do padrão no monitoramento de focos de calor no Brasil. Dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontam 4.347 focos ativos detectados até a quinta-feira (29), número que representa o dobro da média esperada para o período e um aumento de 46% em comparação com o mesmo mês de 2025.

O volume registrado coloca este janeiro como o sexto mais intenso desde o início da série histórica, em 1999, e o segundo maior da última década, ficando atrás apenas de 2024. O estado do Pará lidera o ranking, com 985 focos, em um contexto de áreas sob condição de seca, conforme levantamento mais recente do Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas.

O crescimento também se concentra no Nordeste, região que enfrenta um quadro persistente de estiagem. Maranhão, Ceará e Piauí aparecem entre os estados com maior número de registros, reflexo da falta de chuvas prolongada desde 2023 em parte desses territórios. No Maranhão, a situação chama ainda mais atenção: o número de focos já supera o total de anos anteriores inteiros, tornando 2026 o mais crítico da série histórica no estado.

Embora os focos de calor sejam amplamente utilizados como indicador para orientar políticas públicas de prevenção e combate, eles não significam, necessariamente, incêndios confirmados. Especialistas alertam que esses registros também podem estar associados a outras fontes de calor detectadas por satélites. Ainda assim, análises históricas mostram que anos com janeiro acima da média costumam encerrar o calendário com números elevados de queimadas.

Estados com maior incidência afirmam acompanhar os dados com cautela. Autoridades ambientais destacam que períodos curtos podem concentrar ocorrências pontuais e não definir, isoladamente, uma tendência anual. Mesmo assim, ações de fiscalização, prevenção e resposta rápida vêm sendo intensificadas, especialmente em áreas rurais e regiões mais afetadas pela estiagem, com apoio a brigadas, uso de drones e campanhas educativas.