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Justiça

Justiça mantém líder dos “Canibais de Garanhuns” na prisão


  • 24 de março de 2026 às 07h33min

Mesmo cego, condenado seguirá sob custódia após avaliação médica e parecer contrário do Ministério Público. (Foto: Reprodução/ Diário de Pernambuco)

A Justiça de Pernambuco rejeitou o pedido de prisão domiciliar feito pela defesa de Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, de 64 anos, condenado no caso que ficou conhecido como “Canibais de Garanhuns”. A decisão foi tomada pelo juiz Evandro de Melo Cabral, da Vara de Execução Penal da Capital, nessa segunda-feira (23).

O magistrado considerou que não há motivos para conceder o benefício, apesar da condição de saúde do detento, que sofre de cegueira bilateral irreversível causada por glaucoma e possui histórico de acompanhamento psiquiátrico.

Segundo o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), relatórios médicos do Presídio Policial Penal Leonardo Lago, no Complexo do Curado, apontam que o condenado recebe atendimento integral dentro da unidade, incluindo consultas regulares, suporte psicológico e psiquiátrico, uso contínuo de medicamentos e encaminhamentos ao SUS, quando necessário.

Com base nesse parecer e na manifestação contrária do Ministério Público, o juiz determinou que o preso continue sob custódia, com acompanhamento multiprofissional e possibilidade de reavaliação caso seu estado de saúde se agrave.

Jorge Beltrão foi preso em 2012 junto a Isabel Cristina Pires e Bruna Cristina Oliveira, em Garanhuns, no Agreste. O trio confessou ter atraído mulheres em situação de vulnerabilidade com falsas promessas de emprego, assassinando-as e esquartejando os corpos.

Partes das vítimas eram consumidas pelos criminosos e, segundo os depoimentos, utilizadas na produção de salgados vendidos na região. Restos mortais também foram encontrados enterrados em quintais e imóveis ligados ao grupo em Garanhuns e Olinda.

A polícia confirmou ao menos três homicídios: Jéssica Camila da Silva Pereira, de 17 anos, Alexandra Falcão da Silva e Giselly Helena. Durante as investigações, os acusados alegaram seguir uma seita chamada “Cartel”, mas o Ministério Público sustentou que tinham plena consciência dos crimes, o que levou à condenação.