Ligue 180 registra mais de 1 milhão de atendimentos e alta de denúncias de violência

A Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, registrou 1.088.900 atendimentos em 2025, segundo levantamento do Ministério das Mulheres divulgado nesta terça-feira (14). O número representa um aumento de 45% em relação a 2024.
Em média, foram cerca de 3 mil atendimentos por dia, incluindo pedidos de informação sobre a rede de proteção e denúncias de violência.
O total de denúncias também cresceu. Em 2025, foram 155.111 registros, alta de 17,4% em comparação com o ano anterior, o que equivale a 425 denúncias por dia.
De acordo com os dados, a maioria das denúncias foi feita pelas próprias vítimas (66,3%). Já 16,8% partiram de terceiros, 16,9% foram anônimas e, em uma pequena parcela (0,03%), o próprio agressor relatou a violência.
Entre os tipos mais comuns, a violência psicológica lidera, com quase metade dos casos (49,9%). Em seguida aparecem:
- Violência física: 15,3%
- Violência patrimonial: 5,4%
- Violência sexual: 3,0%
- Sequestro ou cárcere privado: 0,4%
Segundo o levantamento, uma única denúncia pode envolver mais de um tipo de violência.
O ambiente doméstico segue como o principal cenário das agressões. A casa da vítima foi citada em 40,76% dos casos, enquanto 28,58% ocorreram na residência compartilhada com o agressor. Na maioria das situações, os autores são pessoas com vínculo afetivo com a vítima, como ex-companheiros e parceiros atuais.
Os dados também mostram a frequência e duração da violência. Em 31,86% dos casos, as agressões acontecem diariamente, e em 20,91% das denúncias os episódios se estendem por mais de um ano.
Os números continuam em alta em 2026. Nos três primeiros meses do ano, foram registrados 301.044 atendimentos e 45.735 denúncias, aumentos de 14% e 23%, respectivamente, em comparação com o mesmo período de 2025.
Segundo o Ministério das Mulheres, o crescimento indica maior acesso aos canais de denúncia e fortalecimento das políticas públicas de enfrentamento à violência, como o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios e o programa Mulher Viver sem Violência.
Por: Mirelly Rodrigues
