Mandantes da Chacina de Poção são condenados após três dias de júri

Terminou no sábado (7), no Recife, o julgamento de Bernadete de Lourdes Britto Siqueira Rocha e José Vicente Pereira Cardoso da Silva, acusados de planejar a Chacina de Poção, no Sertão de Pernambuco. Após três dias de sessões no Tribunal do Júri, ambos foram condenados por quatro homicídios qualificados e por atuação em grupo de extermínio. Bernadete recebeu pena de 142 anos, cinco meses e 16 dias de prisão. José Vicente foi condenado a 67 anos, três meses e oito dias, com redução pela idade, já que tem mais de 70 anos; a defesa dele recorreu ainda em plenário.
O crime aconteceu em 2015 e, segundo a acusação, foi encomendado por Bernadete, avó paterna de uma menina que estava no centro de uma disputa de guarda. José Vicente, ex-diretor da Penitenciária de Arcoverde, foi apontado como o articulador da execução. As vítimas foram os conselheiros tutelares José Daniel Farias Monteiro, Lindenberg Nóbrega de Vasconcelos e Carmem Lúcia da Silva, além de Ana Rita Venâncio, avó materna da criança. A menina, então com três anos, também foi atingida, mas sobreviveu.
Embora o caso tenha ocorrido em Poção, o julgamento foi transferido para a capital por decisão de desaforamento, para garantir a imparcialidade dos jurados. Ao longo do processo, foram ouvidos o delegado responsável pelas investigações, testemunhas e os réus, e as partes apresentaram debates com réplica e tréplica. Ao todo, sete pessoas foram denunciadas pela chacina. Em 2025, três já haviam sido condenadas, e outro envolvido recebeu sentença em 2024. O julgamento de um dos acusados foi adiado a pedido da defesa e ainda não tem nova data.
A emboscada ocorreu quando as vítimas retornavam da casa da avó paterna da criança; o carro foi interceptado e os quatro adultos morreram no local após disparos. As investigações concluíram que a motivação foi a disputa pela guarda da menina.
