Morre aos 106 anos Luiz Bangbala, referência do candomblé no Brasil

Luiz Ângelo da Silva, conhecido como Ogan Bangbala, morreu no último domingo (15), no Rio de Janeiro, aos 106 anos. Reconhecido como o ogan mais velho do Brasil, ele dedicou mais de 80 anos ao candomblé e será sepultado nesta terça-feira (17), no Cemitério Jardim Mesquita, na Baixada Fluminense.
Internado desde 31 de janeiro no Hospital Municipal Salgado Filho por complicações renais, Bangbala teve a morte comunicada pela mulher dele, Maria Moreira, em redes sociais. Nascido em Salvador em 1919, foi iniciado ainda jovem no candomblé e assumiu a função de ogan, responsável por conduzir os atabaques e o ritmo das cerimônias. Mais tarde, mudou-se para Belford Roxo, onde viveu até morrer.
Além da atuação religiosa, Bangbala foi um dos fundadores do afoxé Filhos de Gandhy no Rio de Janeiro e gravou dezenas de álbuns de cânticos em iorubá. O trabalho dele foi reconhecido nacionalmente: em 2014 recebeu a Ordem do Mérito Cultural da Presidência da República, foi homenageado pela Unidos do Cabuçu em 2020 e virou tema de exposição no Centro Cultural Correios em 2024.
Bangbala deixa um legado que atravessa gerações, consolidando-se como símbolo da resistência e da preservação da identidade afro-brasileira.
