MPT registra recorde de denúncias de assédio eleitoral em 2026

O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 3.754 denúncias de assédio eleitoral em 2026 até esta quinta-feira (29). O número já supera os 3.373 registros feitos durante todo o período eleitoral de 2022 e representa um recorde, segundo dados do órgão.
Uma das principais diferenças apontadas pelo MPT neste ano é o aumento de relatos de perseguição a trabalhadores depois da votação. Entre a meia-noite de segunda-feira (26) e o meio-dia de quinta (29), foram registradas 1.459 denúncias. Segundo o procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, há casos de funcionários que relatam demissões ou retaliações por manifestações políticas feitas nas redes sociais.
O procurador afirma que esse tipo de situação não teve a mesma dimensão na eleição anterior. Para o MPT, a pressão sobre trabalhadores por causa de posicionamentos ou escolhas políticas pode configurar discriminação e violação ao direito de liberdade de voto.
O trabalhador que sofrer assédio eleitoral pode denunciar o caso ao MPT. Quando há demissão motivada por discriminação política, também é possível buscar na Justiça do Trabalho medidas como reintegração ao emprego e indenização, conforme a legislação.
São Paulo concentra o maior número de registros, com 699 denúncias. Em seguida aparecem Minas Gerais, com 419, e Paraná, com 360. Nos nove estados do Nordeste, foram contabilizadas 750 denúncias até 29 de outubro, o equivalente a cerca de 20% do total nacional. Já os três estados do Sul somaram 796 registros.
Por Mirelly Rodrigues
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