Nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro se autodeclara presidente eleito do Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgou, nesta quarta-feira (28), uma carta dirigida aos brasileiros e à comunidade internacional na qual se autodeclara “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. A declaração ocorre três dias após o segundo turno das eleições presidenciais, quando foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% obtidos pelo senador, segundo os resultados divulgados pela Justiça Eleitoral.
No documento, Flávio afirma que o resultado da votação foi fraudado e acusa adversários políticos de integrarem uma organização criminosa. O senador também declara que pretende assumir a liderança da oposição e atuar em defesa dos eleitores que apoiaram sua candidatura. “Eu sou o presidente eleito”, escreveu, ao questionar a legitimidade do resultado eleitoral.
O parlamentar afirmou ainda que pretende se dirigir regularmente à população nos próximos dias para apresentar uma estratégia de mobilização política. Segundo ele, a oposição deverá recorrer a meios pacíficos e legítimos para impedir o que classificou como a consolidação de um regime ditatorial no país.
Na carta, Flávio também faz críticas às instituições brasileiras e afirma que o país enfrenta um cenário de instabilidade jurídica, corrupção e perseguição política. Ao se dirigir à comunidade internacional, pediu que governos estrangeiros não tratem como normal o que, segundo sua avaliação, estaria acontecendo no Brasil.
Outro ponto abordado pelo senador foi a disputa pelo comando do Senado Federal. Ele citou o senador Rogério Marinho (PL-RN) como nome da oposição para a Presidência da Casa e afirmou que pretende conduzir a articulação política do grupo a partir do exterior.
Flávio também questionou a condução do processo eleitoral e acusou a campanha adversária de abuso de poder político e econômico, além do uso da máquina pública em benefício da reeleição. Na avaliação do senador, essas supostas irregularidades justificariam a cassação da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin. As declarações foram apresentadas por ele na carta, sem que o texto, por si só, comprove as acusações de fraude eleitoral.
Ao justificar sua posição, o parlamentar comparou sua situação à de figuras históricas e lideranças políticas que participaram de movimentos de resistência ou denunciaram perseguições em seus países. Entre os nomes citados estão Rui Barbosa, Charles de Gaulle, José Martí, Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado.
O senador também agradeceu aos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, pela acolhida em território norte-americano. Ao final da carta, reforçou que pretende continuar atuando politicamente e se apresentar como uma das principais vozes da oposição ao governo Lula.
Por Jorge Brandão
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