Nova política busca garantir acolhimento a famílias que perdem bebês na gestação ou no parto

A ausência de acolhimento às famílias que enfrentam a perda de um bebê durante a gestação, o parto ou logo após o nascimento tem reflexos diretos na saúde mental dos pais e cuidadores. O luto mal assistido pode desencadear casos de depressão, ansiedade e aumentar a demanda por atendimentos psiquiátricos no sistema público.
A nova Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental, em vigor desde agosto, prevê que o atendimento psicológico seja feito após a alta hospitalar, de forma domiciliar ou na unidade de saúde mais próxima. No entanto, a falta de profissionais especializados ainda impede que a lei saia do papel em muitas regiões.
A lei também estabelece medidas para garantir um luto mais humanizado, como:
• separação de alas para mães enlutadas nas maternidades;
• presença de acompanhante durante o parto, mesmo que o bebê já tenha morrido;
• direito de sepultar ou cremar o bebê conforme a crença da família;
• apoio emocional para a despedida, com a possibilidade de criar lembranças afetivas, como fotos, digitais ou objetos do bebê.
O Ministério da Saúde informou, em nota, que a implementação da política será “gradual e articulada”, em parceria com estados e municípios, e envolverá formação de profissionais e adaptação das unidades hospitalares.
Outubro foi definido como o mês de referência da nova política, com o objetivo de dar visibilidade à causa e incentivar hospitais públicos e privados a adotarem práticas de humanização e cuidado emocional com as famílias enlutadas.
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