País enfrenta déficit de 770 mil trabalhadores em escala 6×1, diz CNM

A redução da jornada de trabalho no Brasil pode provocar forte impacto nas contas públicas e na capacidade de funcionamento dos serviços municipais, segundo estudo divulgado nesta sexta-feira (8) pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).
O levantamento, que analisa propostas em discussão no Congresso Nacional, avalia que mudanças na carga horária dos trabalhadores podem resultar em aumento expressivo de despesas para as prefeituras, além de pressionar a oferta de serviços essenciais à população.
De acordo com a CNM, os projetos em análise têm efeitos diferentes. O Projeto de Lei 1.838/2026, que prevê jornada de 40 horas semanais para trabalhadores da iniciativa privada, teria impacto estimado em cerca de R$ 442 milhões nos municípios. Já as Propostas de Emenda à Constituição (PECs) apresentam alcance mais amplo: a PEC 8/2025, que propõe redução para 36 horas semanais, poderia gerar um custo anual de aproximadamente R$ 48,4 bilhões para as administrações municipais.
O estudo também aponta que a adoção dessa jornada exigiria a contratação de cerca de 770,3 mil novos profissionais para manter o nível atual de atendimento à população. Entre os setores mais afetados estão educação, limpeza urbana e saúde, com estimativas de déficit de 100 mil professores, 58 mil trabalhadores da limpeza pública e 22 mil técnicos de enfermagem.
Por Jorge Brandão
