Pequenas indústrias têm pior resultado desde 2020 e veem confiança despencar, aponta CNI

O desempenho das pequenas indústrias brasileiras caiu ao menor nível desde o auge da pandemia, segundo o Panorama da Pequena Indústria divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O índice que mede a performance do setor recuou para 43,7 pontos no primeiro trimestre de 2026 — queda de um ponto em relação ao fim de 2025 e o pior resultado desde o segundo trimestre de 2020, quando marcou 34,1 pontos.
O indicador leva em conta produção, uso da capacidade instalada e evolução do emprego, e todos esses componentes registraram retração. A analista de Políticas e Indústria da CNI, Julia Dias, explica que o cenário é reflexo direto da combinação entre juros elevados e aumento no custo das matérias‑primas, fatores que comprimem a margem de lucro e dificultam o acesso ao crédito. A situação financeira das pequenas empresas também se deteriorou: o índice caiu para 39 pontos, o pior em cinco anos.
Entre as indústrias de transformação, a falta ou o alto custo da matéria‑prima saltou para o segundo maior problema enfrentado pelo setor, atrás apenas da carga tributária — que segue como principal obstáculo tanto na indústria quanto na construção civil. O conflito no Oriente Médio, segundo a CNI, tem pressionado preços de insumos essenciais, como petróleo e derivados.
A pesquisa mostra ainda que a confiança do empresário industrial de pequeno porte segue em queda. O Índice de Confiança (ICEI) recuou para 44,6 pontos, menor patamar desde junho de 2020, permanecendo abaixo da linha de 50 pontos há 17 meses consecutivos. Já o índice de perspectivas ficou em 47,4 pontos, indicando expectativas moderadas para os próximos seis meses, com cautela em relação à demanda, investimentos e contratação de mão de obra.
