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Pernambuco

Pernambuco registra 27 conflitos agrários no primeiro semestre de 2026


  • 5 de outubro de 2026 às 11h01min

Estado aparece na décima posição do país e na terceira do Nordeste, segundo levantamento parcial da CPT. (Foto: Reprodução/EBC)

Pernambuco registrou 27 conflitos agrários no primeiro semestre de 2026, segundo dados parciais da Comissão Pastoral da Terra. O número coloca o estado na décima posição do Brasil e na terceira entre os estados do Nordeste com mais ocorrências no período.

Na metodologia da CPT, o termo conflito agrário não significa necessariamente que houve violência. A classificação reúne disputas relacionadas principalmente à posse e ao uso da terra, além de conflitos por água e situações de trabalho análogo à escravidão.

Em todo o país, foram registrados 841 conflitos no campo nos primeiros seis meses do ano. Desse total, 711 estão relacionados à luta pela terra, 100 à disputa por água e 30 a casos de trabalho análogo à escravidão.

O número nacional representa uma alta em relação ao primeiro semestre de 2025, quando foram contabilizados 798 conflitos. As ocorrências relacionadas à disputa pela terra também aumentaram, passando de 584 para 663 registros.

O Maranhão lidera o ranking, com 156 conflitos, seguido pelo Pará, com 90, e pela Bahia, com 85. Rondônia e Amazonas aparecem na sequência, com 63 ocorrências cada.

Apesar do aumento dos conflitos, o número de ocupações e acampamentos caiu de 66 para 48 em todo o país. A CPT também aponta crescimento nos registros de contaminação por agrotóxicos, invasão de territórios, desmatamento ilegal e ameaças de despejo.

Violência no campo

O levantamento registrou seis assassinatos relacionados a conflitos no campo no primeiro semestre. As vítimas tinham entre 14 e 45 anos e incluíram posseiros, indígenas e um trabalhador rural sem-terra.

Apesar da queda no número de mortes, a CPT contabilizou 588 casos de violência contra a pessoa e 497 vítimas, números superiores aos registrados no mesmo período do ano passado. Entre os principais motivos estão a contaminação por minérios, com 195 casos, e por agrotóxicos, com 132.

Os povos indígenas aparecem como o grupo mais atingido, seguidos por trabalhadores sem-terra, posseiros, seringueiros e quilombolas.

Por Mirelly Rodrigues