Pernambuco responde por 40% do crescimento econômico do Nordeste

Pernambuco respondeu por cerca de 40% do crescimento da economia nordestina no primeiro semestre de 2026. Enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) do Nordeste avançou 2,3%, a economia pernambucana cresceu 4,8% em relação ao mesmo período do ano passado.
Os dados fazem parte de um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). O estudo acompanha trimestralmente o desempenho econômico das regiões brasileiras.
O principal impulso veio da indústria pernambucana, que cresceu 7,9% no semestre, a maior alta entre os estados do Nordeste. A indústria de transformação, que inclui a atividade da Refinaria Abreu e Lima, avançou 10,9%.
Refinaria impulsionou resultado
Localizada em Suape, a Refinaria Abreu e Lima retomou a produção depois de passar por uma parada programada para manutenção e pela ampliação do Trem 1 no primeiro trimestre de 2025. A intervenção acrescentou 42 mil barris por dia à capacidade de processamento da unidade.
Como a produção estava reduzida durante parte do primeiro semestre do ano passado, a base usada para a comparação ficou mais baixa. Dessa forma, o crescimento de 2026 reflete tanto o aumento da atividade quanto esse efeito estatístico.
Sem a influência da refinaria, a indústria de transformação pernambucana teria crescido cerca de 2,6% no semestre, em vez dos 10,9% registrados. Mesmo assim, o resultado continuaria positivo, enquanto a indústria de transformação do Nordeste apresentou queda de 0,5%.
Outras atividades também contribuíram para o desempenho estadual. Houve crescimento na fabricação de alimentos, borracha e plástico, metalurgia e produtos minerais não metálicos, embora com participação menor no resultado final.
Serviços também avançaram
O setor de serviços cresceu 3,1% em Pernambuco no primeiro semestre, puxado principalmente pelo comércio. No Nordeste, o avanço do segmento foi de 2,2%.
Na indústria, apenas Pernambuco, Sergipe, Piauí e Paraíba apresentaram crescimento. Depois da alta pernambucana de 7,9%, aparecem Sergipe, com 3%; Piauí, com 1,9%; e Paraíba, com 1,4%.
Nos outros cinco estados da região, a atividade industrial recuou. O pior resultado foi registrado no Rio Grande do Norte, com queda de 5,2%.
Cenário para o restante do ano
Entre 2024 e 2025, a economia nordestina cresceu, em média, 2,9% ao ano. No primeiro semestre de 2026, o avanço foi de 2,3%. Pernambuco, Paraíba, Piauí e Alagoas foram os estados que cresceram acima das próprias médias registradas no biênio anterior.
Em Pernambuco, o crescimento de 4,8% no semestre reforça a possibilidade de o estado encerrar 2026 com um resultado superior ao dos dois últimos anos. O desempenho, no entanto, dependerá da atividade econômica durante o segundo semestre.
Entre os fatores que podem afetar esse resultado estão a desaceleração da economia brasileira, os juros elevados e a redução dos investimentos. A indústria pode ser especialmente atingida por esse cenário por depender de crédito para ampliar a produção.
Por Mirelly Rodrigues
