Pesquisa da UFPE busca revelar como se formou Fernando de Noronha

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) está desenvolvendo um estudo inovador para compreender a formação do arquipélago de Fernando de Noronha. A pesquisa é coordenada pela geóloga Carla Joana Barreto e conta com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O projeto busca reconstruir a história geológica da ilha a partir da análise de rochas vulcânicas, utilizando técnicas ainda pouco exploradas na região. Segundo a coordenadora, a ilha principal apresenta uma estrutura complexa, com características semelhantes a outras ilhas vulcânicas do mundo, como a Ilha de Trindade.
Intitulado “Estratigrafia vulcânica e magnética associadas à análise topológica das sucessões efusivas e explosivas do Arquipélago de Fernando de Noronha”, o estudo combina observações de campo, coleta de amostras e análises laboratoriais para entender a sequência de formação das rochas e os diferentes períodos de atividade vulcânica.
A pesquisa está em fase final e deve ser concluída ainda em 2026. Ao longo do projeto, foram realizadas duas etapas de campo, reunindo pesquisadores de diferentes instituições. O objetivo é identificar quando ocorreram os eventos vulcânicos e como eles contribuíram para moldar o arquipélago ao longo de milhões de anos.
De acordo com os pesquisadores, Fernando de Noronha é o topo de uma cadeia de montanhas submarinas formada a partir de atividades vulcânicas. As rochas da região indicam dois grandes períodos eruptivos: um entre 8 e 12 milhões de anos e outro mais recente, há cerca de 1,7 milhão de anos.
Uma das inovações do estudo é o uso de drones e modelagem em 3D para registrar formações rochosas em áreas como a Enseada da Caieira, Baía do Sueste e Praia do Atalaia. O material será disponibilizado em um acervo virtual.
Outro destaque é a aplicação da magnetoestratigrafia, técnica que analisa minerais magnéticos presentes nas rochas para identificar mudanças no campo magnético da Terra ao longo do tempo. Esse método permite datar os eventos vulcânicos com maior precisão.
Além da UFPE, o estudo conta com a colaboração de instituições como a Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e o Observatório Nacional.
Considerado pioneiro, o trabalho amplia a participação de pesquisadores pernambucanos em estudos sobre o arquipélago e pode contribuir para um entendimento mais detalhado sobre o vulcanismo em ambientes oceânicos.
Por: Mirelly Rodrigues
