Pesquisa sobre fotografia contemporânea no Agreste terá apresentação pública hoje (20) em Caruaru

A fotografia produzida no Agreste pernambucano ganha destaque nesta terça-feira (20), em Caruaru. A partir das 19h, o Armazém da Criatividade recebe a apresentação pública da pesquisa “TRAMA: imagens que tecem territórios”, estudo que mapeou fotógrafos, fotógrafas, coletivos e narrativas visuais da região com o objetivo de valorizar e registrar a produção fotográfica contemporânea do Agreste.
Desenvolvida no Centro Acadêmico do Agreste da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a pesquisa identificou cerca de 40 artistas e coletivos de cidades do interior pernambucano e busca compreender como a fotografia produzida na região tem contribuído para ampliar as formas de representar o Agreste, para além de visões historicamente associadas apenas à seca, pobreza e isolamento.
A pesquisa funciona como uma cartografia visual do Agreste pernambucano. O estudo investigou produções fotográficas contemporâneas ligadas à região e analisou como essas imagens dialogam com território, afetos, tradições, religiosidades, conflitos e transformações sociais vividas no interior do estado.
O projeto foi financiado pelo Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura) e desenvolvido pela professora Juliana Leitão, do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Inovação Social (Póscom) e do curso de Comunicação Social da UFPE no Agreste, sob orientação da professora Daniela Bracchi. Também participaram da pesquisa as estudantes Talita Matos Ribeiro, Izabel Marluce Silva Lemos e Daniele Cristina Santos Leite.
Ao longo da investigação, o grupo reuniu trabalhos autorais que circulavam em diferentes espaços públicos, como Instagram, sites, blogs, fotolivros, feiras, premiações, catálogos e iniciativas independentes. O levantamento identificou artistas de cidades como Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe, Gravatá, Bonito, Pesqueira, Belo Jardim, Garanhuns e Surubim.
Um dos exemplos destacados pela pesquisa é o coletivo Ciano, Cidade, que utiliza processos históricos de revelação fotográfica, como a cianotipia, para discutir questões ligadas ao trabalho, à indústria têxtil e à paisagem urbana do Polo de Confecções do Agreste.
Além da relevância artística, o estudo chama atenção para a pouca visibilidade histórica das produções culturais realizadas fora dos grandes centros urbanos.
“Existe uma invisibilidade histórica das produções realizadas fora dos grandes centros culturais do país e até mesmo fora da Região Metropolitana do Recife. Muitas vezes, a produção artística do interior circula pouco e acaba não entrando nos debates acadêmicos e nos circuitos de legitimação da arte contemporânea”, destaca Juliana.
A pesquisadora afirma ainda que o levantamento pode contribuir para fortalecer redes entre artistas e ampliar futuras pesquisas, exposições e ações culturais voltadas para a fotografia produzida no interior do estado.
O seminário desta terça-feira (20) pretende aproximar essa discussão do público, reunindo artistas, estudantes, pesquisadores e interessados na relação entre fotografia, memória, território e representação. A participação é gratuita e não é necessário realizar inscrição prévia.
Por Mirelly Rodrigues
