Polilaminina: medicamento experimental para lesão na medula avança para fase 1 de testes

A polilaminina, medicamento experimental desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, tem ganhado destaque nacional após relatos de recuperação de pacientes com lesão medular. A pesquisa é liderada por Tatiana Sampaio, do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ.
O tema ganhou repercussão após o caso de Bruno Sampaio, que ficou tetraplégico após um acidente em 2018 e apresentou melhora significativa depois do tratamento. Ele voltou a andar e compartilhou vídeos praticando musculação nas redes sociais.
Apesar da expectativa, a polilaminina ainda é considerada experimental. No início de janeiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou o início da fase 1 dos testes clínicos, etapa que avalia exclusivamente a segurança do medicamento. O estudo envolverá cinco voluntários com lesão completa da medula espinhal torácica, ocorrida há menos de 72 horas.
Essa primeira fase busca identificar possíveis riscos e efeitos colaterais. Caso os resultados sejam positivos, o medicamento poderá avançar para as fases 2 e 3, que analisam a eficácia. Somente após a conclusão de todas as etapas será possível solicitar o registro definitivo para uso amplo.
A polilaminina é produzida a partir da laminina, proteína isolada de placentas, e atua estimulando a regeneração dos axônios, estruturas responsáveis pela transmissão de impulsos nervosos. Nos estudos preliminares, realizados com animais e um pequeno grupo de humanos entre 2018 e 2021, os resultados variaram entre recuperação parcial e total dos movimentos.
Mesmo sem aprovação definitiva, pacientes têm recorrido à Justiça para obter o chamado uso compassivo da substância. Até o momento, dezenas de pedidos já foram encaminhados ao laboratório responsável pela produção.
Por Millena Galvão
