Presidente da Anac diz que Voepass enviava informações falsas sobre manutenção

O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) afirmou que a Voepass forneceu informações falsas sobre a manutenção de suas aeronaves durante fiscalizações do órgão. Segundo ele, documentos enviados pela companhia indicavam que reparos haviam sido realizados, mas inspeções constataram que, em alguns casos, as peças não tinham sido substituídas. A declaração foi feita após a divulgação do relatório final sobre o acidente aéreo ocorrido em agosto de 2024, que deixou 62 mortos.
A investigação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que a queda do avião foi provocada por um conjunto de fatores envolvendo falhas da empresa, da aeronave, da atuação dos pilotos e da fiscalização da própria Anac. Ao todo, foram identificados 19 fatores relacionados ao acidente, sendo 15 considerados contribuintes diretos.
Entre as irregularidades apontadas está a decolagem da aeronave com um equipamento inoperante em condições meteorológicas incompatíveis com esse tipo de operação. O relatório também identificou falhas recorrentes no sistema de degelo das asas, que não eram registradas pelas tripulações, além da prática de reutilizar peças com defeito para manter aeronaves em operação. A investigação apontou ainda uma cultura de informalidade e de omissão de problemas técnicos dentro da empresa.
O Cenipa também destacou falhas na supervisão da Anac, que não teria incorporado sinais de risco já identificados durante as fiscalizações. Em nota divulgada anteriormente, a Voepass afirmou que, ao longo de sua história, sempre adotou procedimentos voltados à segurança operacional e à capacitação de suas equipes.
Por Millena Galvão
