Pressão sobre petróleo e inflação aumenta risco de novos juros altos no exterior

O cenário econômico internacional ficou mais desafiador e pode trazer novos impactos para o Brasil. A avaliação consta do Boletim Macrofiscal de setembro, divulgado nesta terça-feira (22) pela Secretaria de Política Econômica (SPE), do Ministério da Fazenda.
Segundo o documento, a combinação entre a persistência das pressões sobre os preços do petróleo e a inflação ainda resistente nas principais economias desenvolvidas elevou o risco de novos aumentos nas taxas de juros no exterior.
A Fazenda avalia que esse movimento pode repercutir diretamente sobre a economia brasileira, especialmente por meio do câmbio e do custo de financiamento. Juros mais altos em grandes economias tendem a alterar as condições dos mercados internacionais e podem aumentar a pressão sobre países emergentes.
O boletim também aponta uma mudança na avaliação dos efeitos do conflito entre Estados Unidos e Irã. De acordo com a SPE, o impacto sobre o mercado de energia deixou de ser visto apenas como um choque pontual e passou a influenciar de maneira mais persistente as perspectivas para a economia mundial.
A manutenção de preços elevados do petróleo representa um fator adicional de pressão sobre a inflação global. Caso esse cenário persista, bancos centrais de economias desenvolvidas podem enfrentar maiores dificuldades para reduzir os juros ou até considerar novas elevações nas taxas.
Para o Brasil, a evolução desse quadro externo será relevante para as condições financeiras, o comportamento do real e o custo de captação de recursos. A Fazenda, portanto, monitora os possíveis desdobramentos do cenário internacional sobre a economia doméstica.
Por Jorge Brandão
