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Quando o Sol Nasce no Carneirinho: As mulheres que sustentam Caruaru e reescrevem a história do campo


  • 21 de maio de 2026 às 08h52min

No aniversário de 169 anos de Caruaru, a força feminina na agricultura familiar revela um modelo de desenvolvimento que une tradição, autonomia e futuro. (Foto: Reportagem Cidade 99.7)

No último 18 de maio, quando Caruaru completou 169 anos, a cidade celebrou não apenas sua história, mas também a força silenciosa e persistente das mulheres que moldam o presente e o futuro do campo. Em sintonia com o Ano Internacional da Mulher Agricultora, proposto pela ONU para 2026, a série Da Fazenda à Capital: Elas Comandam revela como o protagonismo feminino se tornou a espinha dorsal da agricultura familiar — responsável por 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros.

(Foto: Reportagem Cidade 99.7)

Às quintas-feiras, antes mesmo da madrugada se firmar, o sítio Carneirinho já pulsa em movimento. É dia de levar para o Centro da cidade tudo o que foi produzido ali, com esforço e precisão. Edvânia da Silva descreve a rotina com naturalidade de quem cresceu nesse ritmo: “A gente cria aqui os porcos, caprinho, novinho… Quando já vai ficando no tempo de matar, a gente mesmo faz a matança”. Da criação ao preparo dos pratos — carne de bode, galinha cozida, sarapatel — tudo nasce no Carneirinho, em um ciclo que une tradição, autonomia e cuidado.

O transporte oferecido pela prefeitura garante que os produtos cheguem frescos à feira. “O carro vem pegar a mercadoria da gente, deixa lá na feirinha e, no final, traz de volta”, explica Edvânia, destacando um suporte que faz diferença na renda e na dignidade de quem vive da terra. Na feira, o cansaço dá lugar à satisfação. Dona Maria Rizonia, mãe de Edvânia, celebra oito anos de vendas com entusiasmo contagiante: “Eu chego duas horas e, em instante, vendo. O povo compra, se acaba, eu boto mais no fogo… Até dez horas, oito e meia já acabou tudo”.

A agilidade nas vendas é fruto de uma organização que começa no dia anterior. “Ontem a gente fez a preparação de tudo”, conta Edvânia. “A gente mesmo mata os animais, prepara e traz pra feirinha. Às quatro da manhã já estamos vendendo”. Esse processo de transformar matéria-prima em produto final é, segundo o mestre em desenvolvimento rural Maciel Tavares, o que dá nova cara ao campo. Ele destaca o avanço da agroindustrialização e cita o exemplo de dona Jacilene, conhecida pelo bolo de batata-doce biofortificada: “Quando é feito, não dá pra ninguém”, brinca. Parcerias com universidades federais ampliam o desenvolvimento de novos produtos e mercados, fortalecendo a autonomia das agricultoras.

Para garantir que o lucro permaneça com quem trabalha a terra, a Secretaria de Desenvolvimento Rural ampliou a feira da agricultura familiar para quatro novos pontos da cidade. “Um dos grandes gargalos é o acesso a mercados”, explica o secretário Wesley Nascimento. “Hoje eles comercializam e eles mesmos entregam e vendem sua produção”. Ele destaca que esse movimento reafirma a identidade de Caruaru: “Nós continuamos da fazenda à capital. Trazemos essas pessoas do campo todas as semanas para o centro urbano, num lugar limpo, bonito, de dignidade”.

(Foto: Reportagem Cidade 99.7)

Wesley lembra que, desde a fundação da cidade, a mulher rural deixou de ser coadjuvante para assumir o papel de protagonista do desenvolvimento local. “Elas têm a possibilidade de serem protagonistas não só da sua vida, mas também desse local de comercialização, no coração da cidade”, afirma. E é justamente essa força feminina que sustenta centenas de famílias da zona rural e impulsiona o progresso da cidade.

Da rotina que começa na madrugada à comida fresca que chega à mesa do caruaruense, cada produto carrega trabalho, orgulho e dignidade. Caruaru celebra seus 169 anos reconhecendo que seu futuro continua sendo plantado por mãos firmes, resilientes e cheias de história — mãos de mulheres que comandam, transformam e inspiram.