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Trabalho

Salário e estabilidade pesam mais que home office na escolha profissional dos brasileiros, aponta CNI


  • 10 de junho de 2026 às 10h02min

Pesquisa da CNI mostra que remuneração, segurança no emprego e crescimento na carreira seguem como prioridades para os trabalhadores nos próximos anos. (Foto: reprodução)

Salário mais alto, estabilidade no emprego e oportunidades de crescimento profissional continuam sendo os principais fatores considerados pelos brasileiros na hora de planejar a carreira. É o que revela a 69ª edição da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira: futuro profissional, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Segundo o levantamento, 28,7% dos entrevistados apontaram a remuneração como o aspecto mais importante para a profissão que desejam exercer nos próximos cinco anos. Em seguida aparecem a estabilidade no emprego (22,4%) e a perspectiva de crescimento profissional (20,1%).

Benefícios ligados à flexibilidade também foram citados, mas com menor relevância. A flexibilidade de horário foi mencionada por 19,3% dos participantes, enquanto a possibilidade de trabalhar em home office apareceu com 15,9%. Já a jornada reduzida foi apontada por 9,8%.

A especialista em Políticas e Indústria da CNI, Claudia Perdigão, destaca que fatores tradicionalmente associados à segurança profissional continuam influenciando as decisões dos trabalhadores.

Além das prioridades na carreira, a pesquisa identificou os principais obstáculos para alcançar a profissão desejada. Entre eles estão a necessidade de cuidar de familiares (16,1%), a falta de formação ou qualificação exigida pelo mercado (12,7%), a falta de informação sobre vagas disponíveis (11,9%) e a discriminação por parte dos empregadores (8,3%).

O estudo também aponta um cenário de incerteza sobre o futuro profissional. Cerca de 43% dos brasileiros afirmaram não saber em qual profissão estarão trabalhando daqui a cinco anos. Segundo a CNI, as rápidas transformações tecnológicas e o avanço da inteligência artificial contribuem para essa percepção.

Entre aqueles que conseguem projetar os próximos anos, 13,9% afirmaram que pretendem abrir o próprio negócio, principalmente nas áreas de comércio e serviços.

A pesquisa mostra ainda que o emprego formal continua sendo a modalidade de trabalho mais desejada por boa parte da população. Mais de um terço dos trabalhadores que procuraram emprego recentemente apontou a carteira assinada como a opção mais atrativa, especialmente entre jovens de 25 a 34 anos.

Em relação às competências digitais, o levantamento revela que 54% dos brasileiros possuem domínio considerado alto ou médio-alto. No entanto, esse percentual cai para 44,5% quando analisadas habilidades mais avançadas, como uso de inteligência artificial, planilhas eletrônicas e configurações de sistemas.

O estudo ouviu trabalhadores de diferentes regiões do país e integra uma série de levantamentos realizados pela CNI para compreender as expectativas e desafios dos brasileiros diante das transformações do mercado de trabalho.

Por Mirelly Rodrigues